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Decoração e Design

Ilustração: Claudia Liz (inspirada na obra de Antônio Bokel e mobiliário da Vírgula Ovo)

Para algumas perguntas, falta resposta ou reflexão?

Nos últimos 30 dias, quantas ideias “improváveis” você teve e subestimou? E nos últimos meses, quantos planos surgiram e foram deixados de lado sem razão nem porquê? Ao longo da vida, quantas frustrações carregamos como resultado da nossa falta de ação pontual? Pautas para o terapeuta! Livre de julgamentos, realizar é uma tarefa simples, mas arriscar não! Muitos almejam e poucos se lançam – é como num jogo onde existe a aposta e o risco – mas o que seria de nós se não fosse viver sob os fragmentos dessa adrenalina? Ela é um combustível voraz para a criatividade, de ondem surgem os projetos mais ousados, mais instigantes, mais incríveis.
E foi partindo dessa reflexão que fechei a pauta dessa coluna, onde trago os “monstros”: trabalhos inéditos do artista plástico Antônio Bokel e 25 anos de estrada com os designers Luciana Martins e Gerson de Oliveira a frente da Vírgula Ovo! Venham comigo!

Antonio Bokel – Um trabalho ao mesmo tempo sedimentado e em constante transformação

Carioca e designer gráfico, realizou a sua primeira exposição individual em 2003 na Ken’s Art Gallery, em Florença – Itália, onde residiu e fez cursos de fotografia e história da arte. No Rio de Janeiro, teve aulas de modelo vivo com Bandeira de Mello e fez cursos de pintura com João Magalhães e de arte com Luiz Ernesto, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Ao longo das duas últimas décadas tem apresentado seu trabalho no Brasil e no exterior em galerias e em intervenções urbanas, fazendo a ponte entre a arte de Rua e a arte contemporânea.

Black Circuluz / 2016 / técnica mista sobre tela / 240 x 200 cm

Bokel tem alguns trabalhos no acervo do MAM, museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do MAR museu de arte do Rio.
Em 2015 foi um dos indicados ao prêmio PIPA. Atualmente é representado pela galeria Mercedes Viegas, no Rio de Janeiro, e galeria Matias Brotas em Vitória.
Em visita ao seu atelier no bairro do Rio Comprido, no Rio de Janeiro, registramos nossa conversa com exclusividade para essa coluna:

Novo Geo / 2017 / Técnica mista sobre tela / 140 x 240 cm

NL – Na apresentação de seu livro VER, lançado pela Réptil Editora no final de 2016, Vanda Klabin escreve ao te apresentar que você trabalha com a “corrosão do conceito de arte”. Você poderia explanar esse processo?
AB – Acho que corrosão pode significar a desconstrução, um olhar questionador e inquieto, gosto de desafiar os rótulos e conceitos pré-determinados, é uma forma de me manter livre e com autonomia no que faço e gosto de fazer.

Madeira algodão e linho / 2016 / Técnica mista sobre madeira e tela / 140 x 220 cm

NL – A poesia está presente na sua arte. Como você faz essa “escolha” na hora de criar um quadro? Existe a relação entre a palavra e a imagem?
AB – Sempre gostei de usar palavras enquanto pintava, acho que é uma forma potente de acessar o subconsciente. Depois entrei em contato com o movimento da poesia concreta – Augusto dos Campos – e isso abriu mundos para mim: acho que a palavra é uma imagem e a imagem se traduz em palavras. Tudo está conectado numa mesma raiz: a criação ou a energia transformadas em matéria em linguagens diferentes.

Verda / 2017 / Técnica mista sobre tela / 160x 120 cm

NL – Na sua obra nota-se o fascínio pela geometria. Como você definiria seu trabalho?
AB – Entrei com a geometria em meu trabalho em 2014 para contrapor o gestual e a pintura visceral mais intuitiva. Comecei a olhar para o movimento concreto brasileiro e isso me influenciou. Quis também me desafiar e criar uma fricção entre um lado racional e outro intuitivo, para chegar a um equilíbrio.
NL – Você trabalha com diferentes técnicas além da pintura: escultura, instalações, desenhos, colagens, fotografias e vídeos. Essas criações acontecem simultaneamente, ou você tem fases diferenciadas?
AB – Isso acontece naturalmente. Acho que as ferramentas estão aí e a fonte que é a criação se manifesta em todas elas. Gosto de usar todas as mídias que estão disponíveis porque isso enriquece o trabalho. Arte não tem fronteiras ou limitações: é um vasto mundo a ser explorado. É infinito!!!

Nada Além das Palavras / 2016 / Pintura na Rua

NL – O que você falaria sobre “Antonio Bokel”?
AB – Sou um viajante.

Texto de Luis Vaz de Camões

Quem veio primeiro: o “ovo” ou a “vírgula”?

Ao fundo, fachada frontal da loja e composições do sofá modular “Campo”

Por trás da marca, já consolidada há 25 anos pelo seu design leve, funcional e atemporal estão os designers Gerson de Oliveira e Luciana Martins, com quem me reuni para elaboração dessa pauta no novo espaço inaugurado em abri de 2015 no bairro dos Jardins em São Paulo. O imóvel já existia, mas uma série de ajustes foram adotados para assegurar a identidade da marca: espaço amplo, pé direito alto, luz natural. Com vocês, os mentores da Vírgula Ovo:

NL – Não poderíamos iniciar essa conversa sem a pergunta mais previsível: de onde veio o nome “Vírgula Ovo”?
VO – Claro Newton! É bastante comum que as pessoas perguntem de onde veio esse nome. Na verdade, alude a várias ideias pertinentes ao conceito do nosso trabalho:
– Vírgula: reflete os anos de trabalho e expertise. Completamos 25 anos no final de 2016. O nome “Ovo” surgiu em 2002 quando estávamos com 19 anos de trajetória.
– Ovo: origem, vida, criação, forma geométrica perfeitamente irregular, humor numa ampla gama de significados.

Sofá modular “Boiling”

NL – Funcionalidade e versatilidade. É complicado manter o nível de criatividade após 25 anos de atuação no mercado?
VO – Esses são os nossos valores e ambicionamos ter ambos. Uma das nossas peças mais antigas – a Poltrona Cade (1995) – foi bastante premiada e segue em linha como ícone da marca. A empresa se mantém constantemente em criação e desenvolvimento – hoje muito mais que no passado: criamos em média de 9 a 10 peças novas por ano, e no decorrer de 2017 lançamos o desafio de termos 18 novos produtos. Uma de nossas características é a modularidade, que leva naturalmente a versatilidade possibilitando mudanças e adaptações.

Poltrona “Cade”

NL – Influências no modernismo e cubismo. Onde tangem as linhas de identidade e influência?
VO – O processo que adotamos como rotina de trabalho toma grande parte do nosso tempo. Desde a criação, passamos por um leque de croquis, desenhos, esquetes e ideias que se modificam conforme amadurecemos o conceito. Temos um outro diferencial que seria a aplicação de materiais alternativos em técnicas distintas. Voltando a sua pergunta, somos influenciados pelos melhores na criação de partidos inéditos.

NL – Qual variável é observada no processo de criação de um novo produto, partindo do ponto de vista do seu cliente final?
VO – Questões comerciais são consequenciais e não servem de parâmetro para novos desenvolvimentos. Buscamos viabilidade.

NL – Nessa trajetória vocês ganham destaque na área corporativa. Isso foi planejado ou houve uma identificação natural por parte do mercado?
VO – O fato de atuarmos junto a instituições e fundações abriu o nosso leque de visibilidade, a exemplo de projetos na Pinacoteca do Estado, Café da Bienal e biblioteca da Sinagoga. Nosso desenho busca atender toda e qualquer necessidade – veja o sofá “Campo” (2004) – muito utilizado por diversas empresas, assim como o “Pedras”. Batalhamos fortemente pela fidelização do cliente, que seja corporativo ou não.

Ambientação no Café da Bienal com mobiliário da ,Ovo

Grande parte dos insumos são de origem nacional, salvo alguns tecidos importados. A Vírgula Ovo emprega 18 funcionários, optando por manter uma única loja como show room, com entregas para qualquer localidade. Sua produção ocorre nas instalações de fornecedores homologados, os quais passam periodicamente por um robusto sistema de controle de qualidade.

 

NL – Para fecharmos, foi preciso alguma estratégia especial para driblar essa crise atual? VO – Sinceramente não modificamos absolutamente nada em nossas rotinas. Prezamos muito por uma atenção especial junto ao cliente – entendemos que o momento atual não esta fácil, mas já tínhamos um bom sistema de pós-venda. Assim como nossos produtos, somos flexíveis e nos adaptamos a qualquer situação. A Vírgula Ovo é democrática.

Com os designers Gerson de Oliveira e Luciana Martins

Ficamos por aqui! Até a próxima!

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Destaques: Luminária “Poppy” da Serien Lighting e Poltrona “Jangada” de Jean Gillon Ilustração de Claudia Liz

Nem 8, nem 80…

Um dos grandes dilemas na hora de decorar um ambiente ainda é lidar com a expectativa inspirada pelas revistas e vitrines das lojas e a realidade no bolso de cada um. Nesse momento, a criatividade desempenha um papel fundamental: de fato seria muito mais fácil entrar numa loja, escolher o mobiliário e adornos e aguardar a entrega. A grande sacada está na seleção das peças principais e coadjuvantes. Um sofá mais caro naturalmente terá uma durabilidade maior, assim como uma mesa em jacarandá tem seu valor agregado em comparação a outro modelo fabricado a partir de madeiras de reflorestamento. Nossa reflexão não gira em torno dos valores, mas dos critérios na escolha com base nas prioridades.

Projeto MaxHaus: Luminária “Poppy”, da Serien Lighting / Vaso de vidro sobre pedestal / Banco do designer Philippe Starck / Banco do arquiteto Índio da Costa

Projeto MaxHaus
Para ilustrar o tema da nossa coluna “High & Low”, selecionei meu projeto no edifício MaxHaus no bairro do Alto da Boa Vista em São Paulo. O termo, de origem alemã, permeia um conceito arquitetônico exclusivo em prédios espalhados pelo mundo todo: fachada industrial, elevadores panorâmicos e concreto aparente dentre outros diferenciais. Para conhecer melhor a estrutura, sugiro acesso ao site www.maxhaus.com.br . Os apartamentos possuem em média 70m2 sem divisórias – um ambiente único integra as funções de hall, estar, jantar, quarto, cozinha e lavanderia, onde janelas amplas permitem passagem de luz natural.

Projeto MaxHaus – vista para salas de estar e jantar a partir do hall interno / Foto: Paulo Brenta

No intuito de manter as características do prédio e atender as necessidades do cliente, alguns ajustes e premissas foram assumidas:
– Parede de drywall para delimitar o quarto, prezando pela área íntima que requer iluminação diferenciada;
– O uso de cimento queimado no chão e placas de concreto no teto reforçam o conceito cosmopolita da fachada externa do prédio;
– Valorizando a vista que se tem dos janelões, as cortinas foram abolidas dos ambientes de estar e jantar. Venezianas externas do próprio edifício controlam a incidência de luz direta.

Projeto MaxHaus – vista para salas de estar e hall interno a partir do ambiente de jantar / Foto: Paulo Brenta

A atmosfera masculina foi valorizada nesse projeto: poucas peças grandes remetem ao estilo minimalista, ao passo que os revestimentos de parede, adornos e quadros asseguram um toque de arte e sofisticação.

Projeto MaxHaus – vista para salas de jantar e quarto a partir do ambiente de estar / Foto: Paulo Brenta

Como e o que devo priorizar?

Finalizada a fase da obra com paredes, divisórias, pintura e revestimentos, chega o momento de selecionar o mobiliário. A ansiedade de ver tudo pronto é muito grande, mas respeitar algumas etapas fará muita diferença no resultado final do projeto, onde algumas dicas podem ser úteis:

– Elabore uma lista de itens que precisam ser comprados com seus respectivos valores e prazos de entrega. Na mesma lista, inclua os que serão reaproveitados, com indicação de reformas quando for o caso;

– Ordene as ações dessa lista a partir dos prazos de entrega, e inicie as buscas;

– Sofá, estante/rack, mesa de jantar com cadeiras, aparador e cama devem ser os primeiros itens adquiridos por se tratarem de peças maiores e estratégicas. A partir delas, peças menores poderão ser escolhidas com assertividade;

– Assim sendo, evite comprar objetos, quadros, tapetes, mesas laterais e luminárias sem antes ter recebido os itens maiores – é importante que eles já estejam posicionados para que o dimensionamento e quantidade dos itens menores possam ser definidos sem chance de errar.

Projeto MaxHaus – Poltrona “Jangada” do designer Jean Gillon na sala de estar / Foto: Paulo Brenta

Critérios na escolha das peças

Como em qualquer outra ação que envolva investimento financeiro, planejar é a alma do negócio. Ter um orçamento pré-definido para diferentes fases de um projeto é de fundamental importância para evitar frustações no resultado da entrega da obra. Mais dicas:

– É melhor ficar sem um poltrona na sala por um tempo do que comprar um móvel que não seja aquele que você almeja como definitivo para o espaço. Aguarde, economize, e então arremate aquela poltrona de design assinado dos seus sonhos;
– Misture épocas e padrões, afinal sua casa não é um “showroom” onde tudo deve combinar. Essa ousadia ampliará as possibilidades e fará com que você consiga mesclar itens caros e baratos sem prejuízo algum no conjunto final;
– Tente não replicar a vitrine ou mostruário de lojas na sua casa. Elas estão ali como mera fonte de inspiração. O estilo de cada um é único, e toda casa deve contar a história do seu morador. Não existe “bonito ou feio”, mas o que é importante para você;

Projeto MaxHaus – Quadros de Claudia Liz e cama da TokStok no quarto / Foto: Paulo Brenta

– Gravuras e fotografias assinadas cumprem muito bem a representação do seu artista favorito. Avalie essa possibilidade;
– Revestir seu sofá e assento das cadeiras com um tecido de qualidade pode te surpreender;

Projeto MaxHaus – Poltrona de Sergio Rodrigues compõe com escrivaninha da TokStok / Foto: Paulo Brenta

– Dê uma nova função aos móveis e objetos que estavam em outro espaço: a mesinha lateral pode ser um bar; as bandejas podem ser penduradas na parede. Um conjunto de banquetas e pufes aplicados como mesa de centro; jarros acomodam flores… uma infinidade de possibilidades!
– Estramos num período de contenção de despesas, e os lojistas sabem disso. Negociar é uma rotina que independe de valor ou classe social: os parcelamentos são possíveis, mas os pagamentos a vista sempre serão mais vantajosos.

Por hoje ficamos por aqui! Aproveito e convido vocês para visitarem o meu site que está com uma série de novos projetos – www.newtonlimainteriores.com.br

Projeto MaxHaus – Tapeçaria de Norberto Nicola (1941), da Passado Composto Século XX

Ate a próxima!

Decoração e Design

É o artesanato em cena!

Ilustração: Claudia Liz

Nossas casas contam muito de nossas histórias. Lembranças de algo ou alguém, emoções vivenciadas em um determinado local ou oportunidade, está tudo ali! E no mais amplo significado conceitual não há bonito ou feio, brega ou chique, caro ou barato. Sentimentos e memórias são muito particulares, não cabendo julgamentos sobre tais importâncias ou valores. A cômoda que herdamos dos avós, o vaso que trouxemos de viagem… E o quadro que foi pintado pelo sobrinho? Desde cedo somos introduzidos aos trabalhos manuais e aos conceitos de restauração – criamos, adaptamos e reaproveitamos. Então, a decoração vem para resgatar esses critérios de forma harmônica e ordenada no intuito de valorizar ainda mais tudo aquilo que nos marcou para sempre de alguma maneira.

E falando no quadro pintado pelo sobrinho…

Finalmente vamos abordar os quartos infantis! É muito engraçado, mas alguns conceitos extremistas vêm logo à tona quando converso com os clientes em torno do projeto sugerido para o ambiente preferido dos pimpolhos – opções temáticas são as mais comuns, mas nem sempre os donos dos quartos são envolvidos nessas discussões. Os filhos geralmente escolhem o motivo da festa de aniversário, mas com relação ao quarto são os pais que determinam. Daí damos início a mais longa das conversas, onde o papel principal do designer de interiores é o de conciliar o prático com o lúdico, além de buscar de que maneira um personagem de desenho pode incentivar a ordem do novo espaço. Na verdade, existe uma pitada de injustiça nesse cenário, afinal, os pais já opinaram sozinhos na decoração do quarto do bebê, então, democraticamente, os pequenos poderiam intervir com maior autonomia, concordam? Sim e não!

Fotos: divulgação

Assim como o restante da casa, o quarto infantil deve refletir um pouco da personalidade do seu habitante e da mesma forma que investimos em sofás e tapetes neutros para ousar nas almofadas e objetos, aqui vale a mesma regra – móveis maiores seguem imparciais enquanto que prateleiras acomodam os brinquedos, colchas de cama imprimem a princesa ou o herói favorito e por aí vai. Se você tem disponibilidade e disposição para substituir o mobiliário com alguma frequência tudo fica mais fácil. Mas, se a estratégia seria fazer a “dança das cadeiras”, onde os mais novos herdam as peças dos mais velhos, então investir em projetos atemporais é mais interessante. Móveis planejados são sempre os mais recomendados para otimizar esses espaços, especialmente quando os irmãos dividem o mesmo quarto.

Os filhos crescem rápido, então quanto mais atemporal for o projeto de marcenaria, maior será a sua longevidade na decoração.

E pensando em opções para os quartos infantis realmente customizadas e graciosas, trago para essa coluna a artesã Debora Campopiano, que há vários anos vem conquistando um verdadeiro arsenal de fãs com suas bonecas de estilo russo.

Empreendedora e autodidata, Debora já fez de tudo: doces, bolos, licores, biscoitos. Mas foi com as bonecas que encontrou seu modelo de negócio ideal. Primando por uma qualidade absurda, suas “filhotas” como carinhosamente chama as bonecas, são feitas da forma mais artesanal possível: desde os recortes, enchimentos e roupas que vão da renda ao crochê. Qualquer adulto ficará encantado ao visitar no seu atelier.

Debora Campopiano apresenta suas criações mais recentes.

NL – Debora, como é empreender em tempos de crise?
DC – Empreender é sempre desafiador, independente dos períodos de crise. Nem sempre eu acertei nas minhas escolhas, diversas tentativas foram exaustivamente exploradas por mim até chegar nesse modelo de bonecas. Usar e abusar das mídias sociais fez toda a diferença na divulgação do meu trabalho.

NL – Nem sempre o artesanato foi encarado como profissão de fato. Isso mudou?
DC – Isso não mudou. Muita gente ainda me pergunta: “Qual é a sua profissão”? ou “O que você faz além das bonecas? “ É estranho, pois dedico 100% do meu tempo nessa produção, e essa é minha fonte de renda. Planejar a compra dos materiais, pesquisar tendências, inovar…São rotinas que tomam tanto ou mais tempo que a montagem das bonecas.

NL – Acompanhamos nos noticiários que o atual cenário de desemprego move muitas pessoas a abrirem seu próprio negócio. Qual é a sua dica para essas pessoas?
DC – Perseverar é fundamental, e por vezes percebo que as pessoas não têm paciência ou fôlego financeiro para tanto e por isso desistem. É preciso entender profundamente o mercado e o negócio a que estão se propondo, bem como conhecer seus concorrentes e ter muita disciplina com o dinheiro que entra desde o início.

Criações personalizadas também fazem muito sucesso!

Para 2019 a Debora promete novidades: ursos! Conheçam esse universo de criações no Instagram @debora_campopiano e Facebook: Debora Campopiano bonecas.

Uma excelente virada para todos e até a próxima!

Decoração e Design

Ilustração: Claudia Liz / Fonte: ambientação no antiquário NN Antiques

Por traz da história…

Sim, nossas lembranças nos acompanham, invariavelmente. Buscamos, ainda que de maneira inconsciente estabelecer uma espécie de conexão com recordações do passado, um tempo onde algo especial aconteceu e no qual nos percebemos satisfeitos por alguma razão. Por vezes esse elo se faz presente em nossas rotinas por intermédio de um móvel herdado, de uma aquisição numa viagem, ou como resultado de um garimpo por algo que desejamos. Nessa trajetória esbarramos neles: nos antiquários! Essa coluna busca apresentar, esclarecer e desenvolver o tema a fim de que saibamos resgatar o que eles oferecem de melhor: o valor agregado.

Um referencial

Da sociedade entre o jovem arquiteto e colecionador Raphael Nasralla e o economista Tadeu Nasser, sócio da antiga Stiledoc, surge o antiquário NN Antiques, com as iniciais dos sobrenomes dos dois apaixonados por décor do século 19 e do século 20 – neste, especialmente de suas décadas de 1930 e 40, 1970 e 80.

coleção de muranos Fratelli Toso Itália anos 50
Par de abajoures em marmore Italia dec 1970
Aplique em cristal Maison Jansen França anos 40
Tapeçaria Diana a Caçadora França anos 30
Sofá França Sec XIX
Pendant de Gueixas era Meiji

Trabalhando juntos desde 2014, eles montaram na casa da Alameda Franca, 631, nos Jardim Paulista, toda original em estilo Art Déco, e com nove ambientes internos, um mix dos respectivos acervos que vem sendo enriquecido todos os dias com “novidades”, nos estilos mais variados – do Grotto veneziano e, fortemente, do Art Déco até o móvel japonês, ou Império, ou mesmo Biedermeyer.

Esculturas Guanyin China final sec XIX
Vasos em cerâmica Carters Alemanha dec 60
Esculturas em madeira policromada Sudeste Asiático sec XIX
Grupo escultórico Art Deco em Bambotin Portugal anos 30
Busto art Deco Goldscheider designer Rudolf Knörten Áustria anos 20
Vaso Art Deco Amphora Checoslováquia anos 20
Caixa art Deco em rosewwod França anos 30

Mais que um antiquário de peças exclusivas e escolhidas a dedo, vindas da Europa (França, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Itália, Portugal), da África ou do Oriente – Japão e China –, e mesmo brasileiras de ótima qualidade, o antiquário NN Antiques é também um escritório de arte, pois gravuras são alguns dos itens prediletos de Tadeu, que sabe oferecer um pot-pourri variado para seus clientes, colecionadores e amantes do antiquariato.

Vaso Art Deco Amphora motivo passaros Techoslováquia anos 20
Prato azul Gouda Holanda Seculo XX
Bandeja em ceramica por le Garrec França anos 30
Comoda Biedermeier Austria sec XIX
Biombo em tempera sobre madeira Brasil dec 1940

Em visita ao NN antiquário, trouxe para nossa coluna alguns questionamentos pertinentes, prontamente respondidos pelo Raphael e Tadeu:

NL – Para o grande publico, qual seria a definição mais abrangente do conceito de “Antiquário”?
NN- A definição mais tradicional para a palavra antiquário, consiste em um estabelecimento que comercializa peças de mobiliário e objetos com mais de cem anos de existência. Atualmente, essa noção de antiquário é encarada de maneira mais contemporânea e descontraída, comercializando não somente objetos centenários, mas peças que marcaram época pelo estilo e beleza.

Biombo em tempera sobre tela França inicio do sec XIX
Poltrona em laca Dinastia Qing China sec XIX

NL – Nos dias de hoje, onde surgem novos designers de pecas e mobiliário a cada dia com grande visibilidade na mídia, e difícil manter o interesse do publico sobre os itens garimpados?
NN – Em meados do século XVII, Lavoisier cunhou a célebre frase “Nada se cria, tudo se transforma”. Esse mesmo pensamento se aplica ao mercado de design: se analisarmos os produtos voltados para decoração, atualmente, nota-se a influência do passado, cada vez mais presente nas peças contemporâneas. É necessário também levar em consideração as peças atemporais, móveis e objetos cujas características transcendem a questão de “época”.

Centro der mesa Paul Millet Vermelho França anos 30
Backlight de teatro França anos 40
Bandeja Bauhaus
Bordado era Meiji Japão sec XIX

NL – Na curadoria de vocês, ja entrando no século XX, temos abrangência das décadas de 1930-40 e depois 1970-80. O que nos dizem sobre os anos 1950 e 60?
NN – O acervo da NN Antiques, de fato, é constituído por peças que, em sua maioria, pertencem ao século XX, porém, não descartamos a possibilidade de utilizar móveis ou objetos manufaturados em outros séculos para complementar uma decoração contemporânea. Na verdade, não escolhemos as peças pela década em que foram feitas, mas sim por estilos e materiais em que são confeccionadas. É possível encontrar, dentre o acervo da loja, peças pertencentes às décadas de 50 e 60, no entanto, não me refiro aos ditos “móveis modernos”, caracterizados pelas linhas retas e o uso do jacarandá como matéria-prima. Esse estilo não faz o gênero da loja e não complementa o acervo.

Comoda, espelho e cadeira venezianas no estilo Neo Rococó Itália final sec XIX

NL – Contar a historia por traz de cada peca ou mobiliário faz parte do processo de venda? Por experiência, a grande procura se da pela estética propriamente dita ou pela representatividade de um item?
NN – Sim, certamente as informações sobre procedência, estilo e manufatura fazem parte do processo de venda. O acervo NN Antiques é o resultado de uma curadoria, é a soma do impacto visual com o conceito da loja, aliado a um bom atendimento, sempre alimentando o consumidor com informação.

Tadeu Nasser – NN ANTIQUES
www.nnantiques.com.br @nnantiques
Alameda Franca 631, São Paulo SP Tel. (11) 3263-0798 (11) 99665 6631

Por hoje ficamos por aqui!

 

Ate a próxima!

Decoração e Design

“É necessário sair da ilha para ver a ilha”

Bom dia! É com um trecho de José Saramago que abro a nossa coluna da semana que aborda alguns erros comuns que tendenciosamente assumimos em nossas casas e que atrapalham a rotina sem nos darmos conta da origem dos transtornos. Muitas vezes, enxergar a situação de fora para dentro pode trazer as respostas que buscamos. É a chamada “visão dissociada”.

Ter uma trena a tiracolo não deveria ser coisa apenas de arquiteto ou decorador

É fundamental pensarmos da funcionalidade dos ambiente e arranjos – agir por impulso é sempre ruim, e na decoração não poderia ser diferente. Nas reuniões iniciais com os clientes, já ouvi diversas vezes frases do tipo: “comprei porque estava na promoção”, “achei que ia combinar”, “não fazia ideia de como era grande”, “o sofá da minha sala é retrátil, mas não serve para nada”, e por ai vai!
E com base nesses questionamentos, vamos esclarecer algumas regras básicas que poderão minimizar os impactos finais na sua casa:

. Excesso de enfeites:
Para imprimir sua personalidade sem poluir ou “diminuir” o ambiente, eleja um ou dois objetos de destaque para cada móvel e descarte os demais, livrando-se daquilo que já nem é percebido. Para os colecionadores, a dica é manter pisos e paredes em tons neutros, deixando que o estilo sobressaia pelos elementos decorativos e móveis menores, como aparadores e mesas laterais. Organizar as coleções em prateleiras na parede desobstrui os campos de visão, imprimindo a sensação de ordem.

. Falta de assentos:
A conta é: quantas pessoas podem ser acomodadas na sua casa? Se a mesa de jantar tem quatro cadeiras, o ambiente de estar deve acomodar quatro pessoas, e assim por diante. Essa regra de proporção deve ser considerada sempre! De que adianta ter uma sala de estar superdimensionada e uma mesa de jantar que atenda apenas quatro convidados? Não é a falta de espaço a desculpa para a falta de assentos. Soluções como banquinhos empilháveis, pufes debaixo de aparadores e mesa de jantar extensível permitirão que você tenha a mão opções para atender seus convidados sem maiores transtornos.

. Alturas equivocadas:
Tudo o que vai na parede deve ser previamente planejado, como já vimos em colunas anteriores. Quadros colocados aleatoriamente podem tomar muito espaço e dar a sensação de que a parede encolheu. Quanto a luminárias e pendentes: eles devem compor o ambiente sem interferir nos campos de visão. Normalmente a altura ideal é indicada pelo fabricante, então sempre avalie com cautela a colocação de quadros nas paredes que farão fundo aos pendentes.

. Proporção dos móveis:
Mobiliário volumoso requer ambiente amplo. Não se deixe levar pelo preço de uma promoção ou pela falsa sensação de conforto de ter um sofá retrátil incrível na sua sala se quando ele estiver aberto o caminho for obstruído. Estude se ele não vai atrapalhar a circulação das pessoas quando estiver aberto. O mercado oferece uma infinidade de móveis sob medida que poderão se encaixar perfeitamente na área disponível que você possui, garantindo uma boa circulação e otimizando os espaços. Vale o investimento.

. Mistura de revestimentos:

O espaço parecerá menor na medida em que houverem mais interferências visuais por conta de estampas e cores no chão e na parede. Por isso, investir em cores claras e revestimentos neutros vai garantir a sensação de amplitude, permitindo que a ousadia venha por meio das estampas de almofadas, cores dos objetos e cortinas. Eleja uma paleta de cores e a partir dela inicie a composição das estampas.

Dicas: Tapetes

A funcionalidade do tapete independe do tamanho do imóvel ou do espaço disponível. Alguns critérios devem ser observados no intuito de assegurar o conforto com o investimento.
Essa peça é estratégica numa composição, pois une elementos e delimita o espaço do ambiente, por isso a definição da estampa e tamanho são fundamentais para o sucesso estético e funcional do projeto.
Alguns tapetes são vendidos por peça, outros por metragem – levar a planta ou croqui do cômodo na loja pode evitar erros comuns no dimensionamento.

Escolha e adequação:
– Se o sofá e poltrona forem coloridos ou estampados o tapete deverá ser neutro, no intuito de evitar conflitos visuais.

. Na sala de estar: o tapete deve avançar cerca de 20 cm para baixo do sofá, rack e poltronas a fim de assegurar o efeito de delimitação harmônica do espaço e também evitar deslizamentos.

. No ambiente de jantar: considere o espaço das cadeiras para fora da mesa como se estivesse sentado e adicione cerca de 20 cm de folga, assegurando dessa maneira que as cadeiras não fiquem para fora do tapete. Aqui, evite tapetes felpudos e densos, pois as cadeiras poderão danificá-lo.

Salas de jantar funcionam muito bem sem tapetes e passadeiras ao lado das camas também atendem a necessidade. Aqui, dicas são meras sugestões.

. No quarto: considerando o tapete em baixo da cama, partimos da distância de 1,00 m desde a cabeceira, avançando cerca de 1,50 m após o término da cama.

Falando com especialistas!

Parceiros em diversos projetos, fui buscar informações técnicas para enriquecer nossa coluna com a by Kamy, referência nacional no mercado de tapete. A qualidade e originalidade das peças endossam a dedicação dos empresários Kamyar Abrapour e Francesca Alzati à frente de todos os processos.

O diferencial não está apenas no que representa. O ciclo se apoia na criatividade e na superação dos artesãos e, a partir deste conceito, surgem produtos e projetos que unem sustentabilidade, responsabilidade social e tudo o que está relacionado aos valores humanos.

“Podemos observar mudanças em todos os lugares do mundo, especialmente em relação à originalidade das criações. O mercado desafia o novo, o diferente. Essa é a alma do design”, explica Francesca.

“A arte do tear evoluiu com a tecnologia e a matéria-prima, o que também contribuiu para agregar valores ao desafio de novas possibilidades. O tear é a nova tela em branco dos artistas, proporcionando o atrevimento no uso de cores acentuadas e nuances, novas texturas, efeitos, sombreamento, reprodução de imagens e tridimensionalidade. Não só as técnicas ganharam novas ferramentas, assim como os conceitos abriram as portas para a imaginação. O processo de criação das peças permite a incorporação de elementos abstratos inspirados no contemporâneo, na individualidade, no expressionismo e na vanguarda”, completa.

1) Tapetes Kilim enrolados
2) Tapete persa
3) Vendedora Jamilah Freitas que me atende na loja da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo
4) diversos modelos empilhados

Levando em conta uma infinidade de modelos, procedências e valores de tapetes, listamos os mais procurados pelos consumidores e suas principais características:

. Ziegler: originário do Paquistão, em sua maioria são produzidos artesanalmente em tons terrosos com estampas de vasos e arabescos. É o mais clássico e imponente dos tapetes.
Ponto positivo: peças artesanais exclusivas e consideradas como obras de arte.
Ponto negativo: preços altos devido ao processo de manufatura.

Persa: leve, com franjas e com estilo clássico oriental nas estampas, esses tapetes são produzidos na região da Pérsia – Cauchos, Irã e arredores. Tornaram-se mundialmente conhecidos pela facilidade no transporte.

Ponto positivo: peças leves e versáteis.
Ponto negativo: estampas demasiadamente marcantes.

. Kilim: geralmente com estampas em cores vibrantes (geométricas ou listras) são tapetes sem pelos, estando dentre os mais despojados por serem versáteis, com um design contemporâneo e atemporal.
Ponto positivo: custo/benefício.
Ponto negativo: podem incomodar os alérgicos devido aos fiapos das tramas.

. Sisal: de toque rustico, este tipo de tapete tem sua produção marcada no interior dos estados de Minas Gerais e Bahia, já com grande representatividade no mercado exterior.
Ponto positivo: preço e versatilidade
Ponto negativo: não pode ser molhado em hipótese alguma, pois mancha

. Sintético: são os tapetes produzidos à máquina a partir de fibras artificiais, tais como o vinil ou nylon, e por essa razão são os mais populares no mercado, mas não necessariamente os mais baratos. Podem ser lisos ou ter estampas personalizadas.
Ponto positivo: peças de fácil limpeza e manutenção
Ponto negativo: cuidado com réplicas de baixa qualidade no mercado

Sempre que possível, solicite na loja a demonstração de duas a três peças antes de fechar a compra – nada como ver o tapete no lugar para evitar contratempos.

Até a próxima!

Decoração e Design

Quando menos é mais!

Ilustração: Claudia Liz / Fotos: Evelyn Muller

Como lidar?

Hoje em dia a procura por imóveis pequenos tem sido o foco de muitas pessoas, visto as possibilidades de mobilidade e praticidade nas rotinas. Na coluna dessa semana vamos entender que morar bem não tem relação alguma com espaços amplos ou grandes investimentos na decoração. Vamos esmiuçar meu projeto no bairro de Moema, em São Paulo, numa área total de 38m2 que atendeu a um jovem casal carioca: ele chef de bistrot e ela estudante de publicidade. Ambos recém-chegados na capital paulistana, adoram cozinhar e amam os prazeres da mesa. Saudosistas, pediram que o projeto refletisse cores e aspectos da cidade maravilhosa, mas sem exageros! Então apostei no mobiliário planejado para otimização do espaço restrito: muitos armários, cama com baú e prateleiras de sobra na cozinha para armazenar um verdadeiro arsenal de utensílios gourmet. A sacada externa foi fechada com cortina de vidro para acomodar um ambiente de jantar. O ladrilho hidráulico no chão compôs muito bem com a mesa de madeira de demolição e as cadeiras em acrílico trouxeram o equilíbrio. A atmosfera carioca foi traduzida no conjunto de fotografias emolduradas na parede, além de pequenos adornos arrematados pelas cores azul e laranja.

Decisões importantes

Num projeto de decoração, é preciso entender o modo de vida dos moradores: características pessoais, necessidades especiais, paleta de cores possíveis e o mais importante: o orçamento disponível para obra e decoração. Desde a sua concepção, tudo deve ser proporcionalmente dimensionado, afinal de que vale investir num porcelanato exclusivo se não houver recurso para uma boa marcenaria posterior?
Algumas soluções são bastante estratégicas para minimizar sensações de desconforto num ambiente pequeno. Vejam as dicas:

– Parede em dry wall para divisão da cozinha e sala de TV. A existência de cômodos distintos pode ser uma alternativa interessante.
– Prateleiras substituem armários fechados, ampliando os campos de visão.
– Fechamento da sacada com cortina de vidro possibilita a integração de um novo ambiente. Nesse projeto, adotei uma mesa com 4 cadeiras.

– Cama box com baú inferior acomoda itens volumosos e de pouco uso.
– Armários com portas de correr e puxadores discretos não atrapalham a circulação.
– Espelhos na parede ou porta dos armários conferem sensação de profundidade.

– Diferentes cores na parede e marcenaria delimitam os espaços com elegância.
– O painel de madeira ao fundo ainda cumpre as funções de cabeceira da cama e estrutura para criado mudo.
– A disposição de quadros e adornos na parede complementa a definição dos ambientes do quarto e sala.

Entrevista concedida para a revista MENSCH

No final do ano passado, conversei com André Porto, editor geral da revista MENSCH, justamente sobre a tendenciosa busca por soluções menores para se viver. Acompanhem o nosso papo:

AP – Esse projeto de Moema, com 38 metros quadrados mostra uma tendência na escolha para morar. Antes a procura por esse tipo de espaço era para solteiros. Isso está mudando. Os casais estão optando por espaços menores?
NL – Essa tendência é muito marcante nas grandes cidades, e as construtoras perceberam a necessidade do acolhimento de jovens vindos de fora para estudar ou trabalhar. Com o passar do tempo, esses empreendimentos foram tomando formas mais atrativas, incorporando na sua estrutura serviços customizados como manobrista, lavanderia coletiva, academia, concierge, espaços gourmet, piscinas aquecidas… e essas iniciativas chamaram a atenção dos casais sem filhos. Em tempo, esses imóveis também são os preferidos dos investidores, já que os valores de compra e o giro tanto para locação quanto venda são bastante atraentes.

AP – Na sua maioria os clientes atribuem a escolha por essa metragem por conta da crise ou da praticidade?
NL – Os valores desses imóveis são interessantes, mas não necessariamente baixos. Busca-se atender um determinado nicho que preza por um certo requinte com praticidade. Em muitos casos, os moradores já possuem um outro imóvel numa outra localidade, e a busca por essa solução vem para substituir os tradicionais flats, por vezes caros e impessoais.

AP – Nesse projeto os donos já tinham ideia do que queriam ou você teve que trabalhar todas as ideias?
NL – Foi um verdadeiro “namoro”. Vivi 11 anos no Rio de Janeiro, onde fiz vários amigos e conheci muita gente. O casal que me procurou nesse projeto veio de lá, e foi justamente para preencher a lacuna que os cariocas usualmente sentem quanto chegam na “terra da garoa”. A necessidade de resgatar as origens é um ponto de partida importante em qualquer projeto.

AP – Como acontece a “criação” do designer de interiores junto ao cliente que não sabe exatamente o que quer?
NL – Uma espécie de anamnese faz parte do escopo. Cativar é parte do processo. Habilidades interpessoais são requeridas do profissional de interiores – estabelecer um clima de confiança é fundamental; num simples bate papo tenho que captar as necessidades, expectativas e valores de cada cliente. Parto sempre da premissa de que não existe bonito e feio: o que é importante para mim, pode não ser para o outro, e vice-versa.

AP – Tudo tem que caber dentro do orçamento do cliente. É possível hoje fazer mais com menos?
NL – O grande desafio nessa profissão seria atender as expectativas – é preciso conhecer desde a peça mais imponente até a solução mais estratégica. Transitar com naturalidade entre uma obra de arte e uma gravura emoldurada é a grande sacada. Produzir um ambiente é relativamente fácil, mas é no encanto e na transformação que está o fio da meada. Esse projeto do estúdio é um bom exemplo: utilizei de diversos recursos alternativos sem abrir mão dos critérios demandados pelos clientes. A vida se torna mais simples quando nossas crenças e tradições são preservadas.

Outras fotos e informações desse projeto estão no site www.newtonlimainteriores.com.br

Nos vemos na próxima!

Ate lá!

Decoração e Design

O olhar transformador

Ilustração: Claudia Liz

Lonas de caminhão, pedras, chapas de aço, pedaços de madeira. Elementos que vimos ao lado saltam aos olhos de artistas como que querendo transmitir uma mensagem. A ressignificação do ordinário é parte do processo criativo – não é preciso entender, mas sentir. Por vezes nos desconectamos do que aparentemente faz sentido e damos voz ao nosso silêncio. Nessa coluna, digo que “ouvi” as pinturas de Aécio Sarti e esculturas de Luiz Philippe; acompanhem comigo seus universos apurados.

Foto: Rafael Lima

Aécio Sarti, artista plástico, usa como matéria prima principal para sua arte, lonas de caminhões usadas.

“A minha inspiração vem de pessoas que encontro pelo caminho”.

Natural de Aracajú, formado pelo Colorado Institute of Arts (EUA), Aécio Sarti pinta o belo em suas representações humanas. Seja através de um trabalho rico em detalhes e cores ou de pinceladas soltas, grafitadas, monocromáticas, ele mostra a beleza de seus retratados em uma atmosfera muito particular. Uma atmosfera descomprometida com o olhar do outro, criada por Aécio para dar sentido à sua própria vida.
Seus quadros apresentam histórias, sejam elas vividas, contadas, idealizadas, ou que somente deflagram sua constante busca por novos traços, novas técnicas, novos suportes e novas maneiras de dialogar com o mundo.

Obra: “O céu que me guia” medidas: 215 x 159 cm

Sua carreira começou aos 14 anos de idade vendendo suas obras em praças e feiras da cidade. Com 16 teve suas primeiras aulas de pintura, e no final da década de 70, muda-se para os Estados Unidos e ingressa no Colorado Institute of Arts, em Denver. Lá, realizou suas primeiras exposições.
Na sua volta ao Brasil viu-se obrigado a parar de pintar devido à crise financeira do país, e por vinte anos trabalhou na área de exportação com companhias aéreas deixando totalmente sua arte de lado. Em 2002, largou tudo, mudou-se para Paraty onde mantém um atelier de portas abertas ao público e não parou mais. Já foram mais de 20 exposições entre a América do Sul, Norte e outros continentes.

Obra: “Extensão de si mesma” medidas: 160 x 140 cm

Um dos seus maiores projetos, foi “Céu de querubins” – uma lona com 96 metros quadrados, totalmente retratada com dezenas de querubins – que serviu para proteger a carga de potes de barro comercializada por três caminhoneiros desde o sertão da Bahia, até o sudeste do Brasil. Esse projeto virou um curta-metragem dirigido por Gustavo Massola e produzido por Daniel Sarti, filho de Aécio. O curta já ganhou inúmeros prêmios nacionais e internacionais. Vejam o trailer a seguir (curta metragem completo no site: www.aeciosarti.com)

Trailer do curta metragem “Céu de querubins”

NL – Aécio, você poderia explicar o “por que” da escolha desse material na sua arte?
AS – Eu sempre busquei uma boa textura para pintar. Acho que ao longo da carreira os pintores sempre procuram novos suportes interessantes para trabalhar. Quando comprei a primeira lona me dei conta que, além da textura, da cor e de toda sua beleza, eu também tinha em mãos um objeto impregnado de histórias vividas nas estradas. Cada pedaço, cada remendo, cada marca me conta algo. A lona tem uma energia diferente. Toda lona que uso me traz uma nova história, uma nova possibilidade.

Obra: “Transparência” medidas 150 x 150 cm

NL – Seu atelier em Paraty é aberto ao público. Ao mesmo tempo em que você trabalha, recebe as pessoas. De que maneira essa interação reflete na sua arte?
AS – Cada artista tem sua maneira de trabalhar ou acabada desenvolvendo uma dinâmica própria por alguma necessidade específica. Talvez a maioria prefira o isolamento no momento da produção. Pra mim, trabalhar de portas abertas é algo natural. Na vida pessoal sou bastante recolhido, então, ter as portas do atelier abertas é uma maneira de me renovar e de me inserir no mundo. Posso dizer que o mundo passa pelo meu atelier. Muito do que as pessoas me trazem no dia a dia acaba influenciando minha produção, desde a cor da roupa que o visitante usa até as histórias que ele conta. Um espaço aberto também democratiza a arte. Todos, sem distinção, podem entrar e me ver pintar. Presenciei diversas situações em que a arte tocou profundamente alguém. Talvez isso não tivesse acontecido na vida dessas pessoas se não tivessem encontrado um espaço onde se sentissem à vontade para apreciar e falar sobre arte da maneira que quisessem, sem aquela velha insegurança de ter que “entender” de arte para interagir com ela.

NL – O projeto “Céu de querubins”, essa imensa lona de 96 metros quadrados retratando dezenas de querubins, percorreu muitos quilômetros pelo Brasil protegendo uma carga de potes de barro e acabou virando um curta-metragem premiado nos principais festivais do mundo. O que essa experiência trouxe para você?
AS – O maior aprendizado que fica disso tudo é que a vida sempre nos recompensa quando fazemos algo com amor. Quando eu estava pintando essa lona enorme ou quando conversávamos com o diretor do filme sobre o andamento das coisas, não pensávamos nos prêmios. Óbvio que isso também é importante, mas o que me motivava mesmo era a possibilidade de viver uma história interessante, de compartilhar experiências e experimentar algo novo. Naquele momento era minha arte alcançando novos horizontes. Entramos nessa jornada para aproveitar o caminho e não apenas as recompensas da chegada. Acho que quando embarcamos em algo que realmente acreditamos o que nos guia é o amor por aquilo. “Céu de Querubins” começou com a certeza que estávamos fazendo algo que valia a pena. Não tivemos nenhum patrocínio, nenhuma assessoria. Nada! Mas estávamos tão certos daquilo e tão alinhados que nos sentíamos gigantes. Talvez esse tenha sido o segredo de chegarmos tão longe. O que vivemos nesse projeto foi uma grande poesia, e essa poesia continua nos alimentando e nos dando lições diárias.

Obras de Aécio Sarti

Luiz Philippe Carneiro de Mendonça é mineiro e radicado no Rio de Janeiro. Curiosamente, passou a infância morando numa usina de ferro pertencente à sua família, muito ligada às artes e aos artistas.

“Acho que a melhor via para tocar as pessoas é aquela do prazer e, melhor ainda, com humor e alguma poesia.”

Obras: “Leite Derramado” / “Malas de Pedra” / “Casa Imprópria” / “Cavalos”

Durante os anos 60, seu pai, então diretor do Museu de Arte Moderna de Belo Horizonte (Museu da Pampulha), propicia os primeiros contatos com o mundo das artes. Nesse período conheceu o atelier de Guignard em Ouro Preto e conviveu intensamente com Frans Krajcberg, com quem mantém contato e proximidade.
Graduado em Desenho Industrial, no início de sua jornada profissional foi sócio em um estúdio de design, onde se dedicou à diversos trabalhos gráficos.
Paralelo à profissão de designer, e desde sempre, exerceu atividades na área das artes plásticas, seja desenho, pintura, escultura e fotografia.
No começo dos anos 80 se casa e segue para Paris onde trabalha num importante estúdio de design e passa a residir no atelier de Krajcberg, em Montparnasse, gentilmente cedido pelo consagrado artista e amigo.
Ao retornar da Franca, Luiz Philippe se estabelece com a família no Rio de Janeiro, onde por quase vinte anos mora e trabalha num casarão neoclássico do século XIX no charmoso Cosme Velho, o Solar dos Abacaxis, que pertenceu ao avô historiador, cuja atmosfera vem influenciar diretamente o seu trabalho.
Atualmente seu atelier fica em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, de onde nos falou um pouco sobre sua trajetória e principais influências!

Obra: “Cadeira”

NL: Com ironia e irreverência, seus trabalhos despertam sorrisos e cativam atenções; do que trata sua obra?
LP: Meu trabalho tem uma ligação muito forte com a memória. Eu costumo dizer que o exercício da memória traz junto uma sensação de prazer! Tanto para o artista quanto para o observador.
Acho que a melhor via para tocar as pessoas é aquela do prazer e, melhor ainda, com humor e alguma poesia. Não faz parte do meu processo tentar dizer alguma coisa simplesmente chocando as pessoas. Acho um caminho fácil e curto. Curto no sentido de pouco alcance.

Obra: “Icarus”

NL: Como surgiram as emblemáticas Malas de Pedra?
LP: A ideia surgiu num insight. De repente, num clique, em 1996. Mas isso não vem de graça. É claro que a nossa mente já reúne e carrega os pré-requisitos e “configurações” necessárias para que uma ideia se forme num clique!
Acho que a Mala de Pedra tem relação com a bagagem, boa ou má, que a gente carrega pela vida. Tem a ver com a existência humana e, obviamente, com a memória. A pedra está ali não apenas como matéria prima da obra, mas sim com sua presença física. É a pedra no papel dela mesma, ainda que se passando por uma mala! Todo o peso do seu elemento tomando um significado desconcertante ao receber uma singela alça de couro.
Mas o que mais me interessa é a imediata assimilação que elas têm por parte do público, das mais diversas esferas sociais e intelectuais. As malas se prestam às mais variadas interpretações individuais. E acho que é através do humor que isso acontece, do prazer e até certo alívio que as pessoas sentem ao ver a escultura.
Aconteceu uma coincidência incrível que ilustra bem isso: durante uma das edições da ArtRio, eu tomei um taxi e estava conversando com o motorista sobre o evento. Ele me contou que foi à ArtRio levando um cliente, e aproveitou para entrar e conhecer. O que mais o marcou em todo aquele universo de arte foi uma obra em que “um cara pegou umas pedras e prendeu umas alças de mala”. Ele contava isso com o maior entusiasmo e nem imaginava que “o tal cara” estava ali no seu taxi!

Obras de Luiz Philippe

NL: Quais são suas principais influências e inspirações?
LP: Apesar de eu ter uma certa implicância com o rótulo de surrealista, não dá para negar algum encanto por alguns aspectos desse movimento. Alguns trabalhos meus tem vínculos claros com o surrealismo. Nesse universo, gosto de muitos trabalhos de Giorgio De Chirico e Man Ray, só para citar dois.
Tenho uma atração que me persegue a vida toda por história e arqueologia. Isso, de alguma forma, acaba refletindo também em meu trabalho. Mas não me sinto preso a qualquer influência determinada. Se eu fosse enumerar os artistas cujo trabalho eu admiro, e que poderiam me influenciar ou inspirar, a lista seria enorme! Acho que funciona mais como um estimulante!

Foto: Sergio Baia

E com a bagagem lotada de inspiração, fico por aqui.
Até a próxima!

Decoração e Design

Ao sair, apague a luz!

Ilustração: Claudia Liz

Bom dia! O que antes era uma mera questão de consciência, hoje segue encabeçando nossa planilha de orçamentos domésticos: a conta de luz. Nem sempre tivemos razão para refletir sobre o processo e custos de produção da energia elétrica, mas após sucessivas ameaças de racionamento fomos conduzidos não só a entender como a estabelecer limites severos nas rotinas diárias.
E vale relembrar o desconforto vivenciado com a crise hídrica, onde nos habituamos quase que instantaneamente com termos do tipo “volume morto” e “sistema Cantareira”. Gráficos e cores nas contas de luz, planos de incentivo e multas por excesso vem moldando nosso modelo de consumo, mas será que estamos criando juízo na origem do entendimento ou seguimos simplesmente com receio das despesas no final do mês?

Projeto Ipanema com luminária de teto “Birdie” do designer Ingo Maurer / Foto: Denilson Machado

A iluminação correta transforma qualquer ambiente

Ela é responsável pela nossa primeira impressão sobre um espaço, trazendo também a sensação de conforto visual. Definir um projeto de iluminação está diretamente relacionado a proposta do ambiente considerando que apenas com luzes diferentes uma mesma sala pode ganhar um tom intimista, romântico, alegre e agregador. Por outro lado, erros podem ser comprometedores: um local mal iluminado se tornará frio, insosso e impessoal por não ter suas características valorizadas.
Para facilitar o entendimento, destaco os tipos mais comuns de pontos de luz:
– Difuso: luz que não incide num único foco direto e que visa iluminar o ambiente como um todo, por exemplo, pontos de luz no teto;
– Indireto: luz restrita, que compõe a decoração do ambiente com pequenos focos de luz (bocais, abajures, luminárias de piso);
– Dirigido: luz proveniente de uma direção única, e que geralmente ilumina um objeto especifico (spots, arandelas, pendentes).

Projeto MaxHaus com Luminária de teto “Poppy” da Serien Lighting / Foto: Paulo Brenta

A luz adequada para cada cômodo

Hall
Aqui está a primeira impressão – a atmosfera deve ser convidativa, então pontos de luz difusos exercerão um papel correto nesse caso.
Tipo de luz: quente/amarela

Sala de estar
É o onde as pessoas recebem e passam a maior parte do tempo, então a luz deve ser confortável aos olhos e, ao mesmo tempo, possibilitar conversas e entretenimento com a TV, se for o caso. As luzes podem ser focadas nas áreas de leitura ou lazer; spots no teto ou arandelas na parede poderão destacar os quadros. Abajures nas mesas laterais valorizam objetos de decoração e dão um tom intimista.
Tipo de luz: quente/amarela

Sala de jantar
Muito embora o projeto deva contemplar a sala inteira, o foco da iluminação está na mesa. Pendentes são muito comuns nesses casos, e o uso de um dimmer (aparelho que regula a intensidade da luz) vai assegurar o tom desejado a cada ocasião, desde jantares românticos com luz baixa, até um encontro de amigos, com intensidade maior.
Tipo de luz: quente/amarela

Cozinha
Como se trata de um ambiente de atividade intensa, a iluminação deve ser bem clara, até para evitar acidentes. O ideal é instalar pontos difusos ao longo do layout com luminárias apropriadas.
Tipo de luz: fria/branca

Escritório, banheiro e área de serviço
Vale a mesma regra da cozinha. Luzes fracas causam sonolência, então pontos de iluminação forte são mandatórios, mas considere lâmpadas fluorescentes e led que aquecem menos.
Tipo de luz: fria/branca

Quarto
Aqui a iluminação deve ser mais confortável. Considere um ponto central abrangente e pontos indiretos auxiliares por meio de arandelas na parede ou abajures nas mesas laterais da cama para leitura.
Tipo de luz: quente/amarela

Projeto Jardins I, Luminária de teto “Zettel’z” do designer Ingo Maurer / Foto: Evelyn Muller

Papo com pessoas de luz!

Com frequência costumo dar um giro pelas principais lojas no intuito de avaliar as novidades e tendências. Nessa empreitada, não pude deixar de passar por um lugar de referência absoluta quando pensamos em castiçais, lustres e candelabros desenhados e esculpidos a partir do mais puro cristal: a PASSADO COMPOSTO. E lá me encontrei com quem sempre me recebe carinhosamente de braços abertos e a quem não poupo elogios: Cida Santana!

NL – Cida, além de iluminação, a PASSADO COMPOSTO também é um antiquário referencial para os arquitetos e decoradores. Qual estilo você segue?
CS – Estou há 30 anos no mercado, e posso assegurar que somos especializados em artes decorativas no estilo neoclássico. Iniciei como antiquaria focada em peças europeias e então fui introduzindo meus lustres, abajures, castiçais e arandelas no portfólio – todos desenhados e desenvolvidos por mim a partir de cristais e muranos, mas com grande enfoque nas pedras semipreciosas brasileiras. Tamanha foi a visibilidade que nos últimos anos tenho me dedicado a redes hoteleiras como o Park Hyatt de Buenos Aires. Já exportamos para diversos destinos, e no Brasil fomos pioneiros no projeto da joalheria Vancleef. Temos muita história para contar ao longo de tantos anos e parcerias.

NL – E como é o seu processo de obtenção das matérias primas e beneficiamento até a montagem final das peças?
CS – Na verdade meus projetos não contemplam nenhum tipo de beneficiamento das pedras – trabalho com cristais puríssimos, brutos mesmo, da forma como são extraídos das minas. São formas naturais facetadas pela natureza, e por isso originais e exclusivas. Nossos fornecedores são devidamente certificados, e todas as peças produzidas são autenticadas por um gemólogo – Rafael Lupo Medina – nosso parceiro há diversos anos.
É um processo essencialmente artesanal – no intuito de completar o desenho na sua forma original a concepção de um lustre pode chegar a 1 ano. Outras peças também produzidas por mim como abajures e arandelas no estilo clássico revisitado, por vezes contemporâneo, são reedições autênticas das peças originais datadas dos anos 40 a 60.

NL – Existe algo que você não abre mão no seu processo criativo?
CS – Todas as minhas criações trazem associações com elementos naturais, mandatoriamente.

A fundadora da Passado Composto - Cida Santana - apresenta alguma de suas criações

Prova de que nossa coluna é democrática, sairemos agora do mais alto padrão clássico para o que há de mais exclusivo na representação de grandes designers mundialmente premiados. Visitei a nova loja da FAS Iluminação, num projeto concebido por ninguém menos que o designer alemão Ingo Maurer. Mas quem comanda esse empreendimento é Arystela Rosa, com quem tive o privilégio de conversar e então compartilhar com vocês:

NL – Arystela, a FAS representa com exclusividade diversas marcas. De onde veio essa curadoria?
AR – Comecei muito cedo com uma loja de móveis, onde também seguia com representação de marcas exclusivas. Com o passar do tempo, inclui algumas luminárias e segui com uma pequena coleção do Ingo Maurer. Em 2005 tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente numa feira na Alemanha, e a partir daquele momento redirecionei o meu foco com exclusividade na iluminação.

NL – E foi essa admiração que tornou possível o acesso dessas verdadeiras obras de arte no mercado local. Vocês também representam outras marcas?
AR – Sim, temos diversos itens da Serien Lighting, Next, Classicon e Oty Light. Já com o Ingo seguimos com sua coleção completa numa espécie de acervo que conta toda a sua trajetória. Alguns são numerados, outros exclusivos, mas todos estão a venda. Outras marcas vieram pela necessidade de se compor um projeto completo – os itens do Ingo são bastante diferenciados e merecem um destaque especial.

NL – E qual é o seu maior desafio nesse cenário de instabilidade no mercado atual?
AR – Do ponto de vista de estoque local, focamos em apenas 4 marcas – Ingo, Serien, Next e Oty. Consideramos o prazo de importação em torno de 3 meses para reposição de estoque mínimo com base no giro dessas peças, de forma a termos condição de atender a pronta entrega sempre que possível. Trabalho com uma margem justa, já considerando a carga tributária envolvida. Invisto todo o meu tempo e energia nesse negócio, construído a partir da paixão e fascínio que tenho por tudo o que está aqui. Prezo muito por esse espaço e pela possibilidade de apresentar a todos algo que admiro profundamente. Somos uma loja acessível, temos itens de valor bastante competitivo e estamos sempre abertos a negociações.

Luminárias de Ingo Maurer: “Lucellino” / “Johnny B.Butterfly” / “Bulb” numa edição especial de 50 anos de criação da peça original / Aystela Rosa, proprietária da FAS.

Se liga!

– Para economizar energia e tornar o ambiente mais harmonioso, o ideal é pintá-lo em cores claras. Evite pintar muitas paredes e teto com cores escuras, pois isso exige mais luz para compensar, podendo elevar o consumo de energia devido ao acumulo de calor.
Mas nada impede o uso de uma única parede colorida, ou aplicação de papéis de parede e revestimentos diversos. Existem no mercado tintas de cor branca que refletem mais a luz, e por isso são ideais para teto.

– Para melhor difusão da luz considere o teto branco e paredes num tom “off-white” (tons de branco levemente pigmentados). Nos rodapés e portas, branco.

– A iluminação incorreta pode causar ofuscamento, ou redução na capacidade de distinguir detalhes e objetos. Isso ocorre quando a luz é mal distribuída no ambiente e apresenta contrastes excessivos. Atenção na escolha dos tipos de lâmpada e respectivas potências!

– Lâmpadas fluorescentes estão dominando o mercado. Antes utilizadas apenas em escritórios, tomaram forma e design para adequação em todos os bocais e para todas as situações. Aqui o consumo é bem menor. Avalie.

– Valorize a luz natural substituindo as cortinas de tecido pesado por tecidos mais leves, fluidos e cm alguma transparência. Se o ambiente possui pé direito alto (distância do teto ao piso) instale as cortinas bem acima do umbral, para valorizar a altura do espaço.
• Pé direito regular: 2,60 m.

– O mercado dispõe de vários modelos de persianas translúcidas com filtro solar na sua composição – considere esse atributo onde há forte incidência de luz solar, a qual poderá danificar superfícies ou mesmo alterar a cor de objetos e livros com o passar do tempo.

Fico por aqui, até a próxima!

Decoração e Design

Ilustração: Claudia Liz

A arte não tem preço, e a importância de uma obra é você quem dá. Pode ser um van Gogh ou o quadro pintado pelo seu filho. A afetividade transpõe valores e conceitos preestabelecidos.

Em decorrência das nossas próprias sequelas culturais, o termo “popularizar” tomou uma conotação banal, como se estivéssemos expondo algo corriqueiro e sem critérios. Por vezes preferimos “democratizar” para chegarmos no entendimento real da acessibilidade. As crises trazem oportunidades, quer sejam pelo fato de sairmos da nossa zona de conforto em busca da continuidade do mesmo conforto, quer nas reflexões particulares em torno do valor e da importância daquilo que nos cerca. Chegamos num limite explosivo e agora, aos poucos, vamos nos desvinculando dos conceitos previamente atribuídos e passamos a dar uma importância maior ao que está a nossa volta e que cabe no nosso bolso.

Inspiração criadora e criativa

 

Nascida exatamente um ano após o lançamento do satélite soviético SPUTNIK 1, no auge da corrida espacial, o cativante universo pop da artista gaúcha Maria do Carmo Verdi tem forte influência da cultura dos anos 60. Lecionou na Universidade de Caxias do Sul, mudou-se para São Paulo e dedica-se, desde então, a investigação e produção em seu ateliê, desenvolvendo uma obra singular.

A Guerra Fria e sua corrida espacial, filmes de ficção científica como “2001: Uma Odisseia no Espaço” (e, posteriormente “Star Wars”), as missões exploratórias da NASA, os cartoons futuristas dos “The Jetsons”, “Thunderbirds” e “National Kid”, séries televisivas como “Viagem ao Fundo do Mar”, “Perdidos no Espaço” e “Jornada nas Estrelas” – todo esse caldo de referências não passa despercebido na construção de sua obra.

A partir da paisagem lunar do deserto chileno e da apropriação de formas elementares trabalhadas e reestruturadas com o auxílio de exercícios de análise combinatória e traduzidas em “personagens”, ela desenvolve a construção de suas paisagens ficcionais retratando a contemporaneidade correlata. Imersa nesse rico repertório, sua obra, repleta de cor, luz e textura, nos conquista por seu estranhamento. A seguir, nosso bate-papo com a artista:

Maria do Carmo Verdi apresenta suas pinturas e esculturas

NL – Seus trabalhos são vibrantes, com um colorido e texturas hipnotizantes. Como você explica sua obra?

MC – Faço pinturas, crio objetos, trabalhei com têxteis e faço uso de recursos digitais. Trabalho regularmente, acredito em processo e baseio minha produção nesta crença faz muitos anos. Optei por não atribuir ao acaso ou à inspiração a produção da minha obra, mas sim ao trabalho sistemático. Ao longo dos anos alcancei esta plasticidade e a cor, para mim, é um elemento fundamental para a formação do sentido. 

 

NL – Como se dá a inspiração para criação da simbologia das formas e dos personagens que figuram nas suas composições?

MC – Minha geração presenciou das primeiras idas ao espaço, do início da televisão e do surgimento do computador até o que temos hoje; um mundo onde a tragédia e a comédia estão expostas ao vivo, em tempo real, para uma rede incontável de indivíduos. Tudo nos chega, velozmente, pela televisão e pela internet: terrorismo, miséria, riqueza, corrupção, intolerância, solidariedade. Vivenciamos “online” e “ao vivo” acontecimentos importantíssimos como desastres sociais (como o êxodo dos refugiados da Síria e África) e ambientais (como a tragédia de rompimento da barragem de Fundão em Minas Gerais quando uma onda de lama tóxica varreu a cidade de Bento Rodrigues causando total destruição), imersos numa sociedade do espetáculo. Pessoalmente, isso tudo se realiza como uma espécie de caleidoscópio mental, permanentemente alimentado pelo meu próprio trabalho, pelo que aconteça no mundo, o que vejo, leio e vivo. A observação da realidade me mobiliza a criar estes personagens, paisagens e universos que, no momento, são reflexões que se materializam como pinturas e objetos tridimensionais (cakes e altos-relevos).

Obra: Os Sete Pecados

NL – Quais são as suas principais influências?
MC – Uma lista enorme! Posso citar Kandinsky, Klee, Max Ernst, Marc Chagall, Glauco Rodrigues, arte Maya, a gravura Japonesa (em especial a de Hokusai), as catedrais Góticas, Frida Kahlo, Miró e ainda muitas das séries de TV dos anos 60 como “Nacional Kid”, “Os Vingadores do Espaço”, os fantásticos “Thunderbirds”, “Túnel do Tempo”, “Jeannie é um Gênio”, “Perdidos no Espaço” além de filmes como “2001 Uma Odisseia no Espaço”! São muitas influências e referências, acho que sou um mix da cultura “pop sideral” dos anos 60 com uma boa dose de surrealismo.

NL – Como você enxerga o comércio da arte? É possível viver de arte no Brasil?
MC – Sim, é possível viver de arte no Brasil pois existem pessoas que vivem! É fácil? Claro que não! E não deve ser fácil em nenhuma parte do mundo. O desafio é buscar espaço no mercado sem perder a originalidade. Aliar-se à profissionais preparados para a complexidade deste ambiente é fundamental. De forma geral, o comércio de arte no Brasil é um pouco restrito a um público de renda mais alta. Há gente como meu galerista, o Felipe Senna, repensando isso e se posicionando de forma a agregar interessados e novos colecionadores ao circuito das artes, muitas vezes avesso a não iniciados, com propostas de valores razoáveis e sem perder o cuidado com a qualidade dos trabalhos.

NL – Seus trabalhos resultam de um método e de pesquisas profundas. Qual sua opinião sobre o uso da arte para fins decorativos?
MC – Um quadro, uma escultura, uma performance, seja lá o suporte que for, só se completa enquanto obra de arte quando é usufruída. Independentemente de onde isso aconteça. Apenas precisa acontecer! Pode ser na rua, dentro dos museus, em galerias ou intimamente na casa das pessoas. Quanto mais as pessoas queiram ter em torno de si objetos que lhes suscitem prazer e/ou reflexão a um nível íntimo e enriquecedor, melhor. Ver ou saber de algum dos meus trabalhos na casa de alguém é sempre motivo de alegria.

Projeto Jardins II / Suíte Principal / Quadros MCarmo “Paisagens Ficcionais”

NL – Como você entende a democratização da arte? 

MC – Acho que essa discussão é uma questão muito mais geral que engloba a educação em si. Formar indivíduos capazes de pensar o mundo produzindo ciência e produzindo arte. Aí está a verdadeira democratização da arte – no âmbito do fazer. Pensando assim temos um longo caminho pela frente.

 

NL – Com toda a bagagem que você traz em sua carreira, qual seria a sua orientação para quem está começando?  

MC – É uma profissão como qualquer outra. O crescimento depende de extrema dedicação, estudo e não se limita à prática do atelier. Envolve o mercado de arte e seus atores. Não existe uma fórmula para o sucesso, cada artista constrói o próprio caminho, mas uma coisa é certa, o trabalho dentro do atelier é só a ponta do iceberg.

Série “A Grande Onda Tóxica”

Conheça mais do trabalho dessa artista no Instagram @mcarmoverdi e através do seu galerista exclusivo Felipe Senna @_fsenna_ / f.senna@icloud.com

Valorizando um quadro na sua decoração

Projeto Jardins I / Sala de estar - ao fundo, painel de Adrianne Galinnari / Foto: Evelyn Muller

O primeiro passo é definir qual será a parede trabalhada. O ideal é que tenha boa visibilidade da entrada do ambiente e uma iluminação adequada que valorize a obra. Leve em consideração o revestimento – paredes com muita textura (tijolinho, mosaico, pedras, estampas) podem dificultar a visibilidade e comprometer o resultado final, assim como a incidência de luz solar diretamente sobre o quadro poderá desbotá-lo.

Escolhida a parede, analise o tamanho da obra mais adequado. Paredes maiores pedem obras grandes ou composições com mais de uma peça.

O estilo da obra deve dialogar com os móveis e adornos do ambiente (moderno, clássico, barroco). Uma ou outra peça contrastante pode “roubar a cena”, mas misturar muitos estilos pode deixar o ambiente confuso, cansativo e sem personalidade.

– Quadros pequenos devem ser dispostos em locais que permitam a aproximação. Eles criam um visual harmônico quando concentrados em apenas uma parede ao invés de espalhados pelo ambiente.
– Para que os quadros grandes assegurem um ar mais despojado ao local, apoie em mesas, bancos, aparadores ou mesmo no chão.

A vez da moldura

Ela é responsável pelo acabamento do quadro, mas nem sempre o quadro pede um acabamento.

– Pinturas menores precisam ser expostas com complementos no intuito de ampliá-las, então o paspatur (espaço entre a obra e a moldura) pode ser um grande aliado na valorização da obra;
– Pinturas maiores, como painéis, geralmente dispensam molduras, especialmente quando as laterais também são pintadas. Se for de sua preferência opte por molduras finas e claras.

E lembre-se sempre: a moldura deve combinar com o quadro, e não com a decoração!

Projeto Butantã / Acervo de telas, gravuras e ilustrações na sala de estar / Foto: divulgação

Ficamos por aqui. Até a próxima!

Decoração e Design

Trabalhar em casa é o sonho de muita gente!

O termo “home office” é um dos grandes temas quando o assunto é trabalho do futuro, e em meio a esse cenário turbulento de mudanças econômicas e políticas, esse futuro parece ter chegado sem aviso prévio. O emprego regular segue escasso e de repente nos percebemos em casa à frente do computador buscando formas de empreender. A autonomia, bandeira antes erguida como símbolo de liberdade, nos dias atuais parece ter outro significado. Nesse universo de adaptações a curtíssimo prazo, a melhor saída seria ajustarmos nossa rotina no intuito de atender uma demanda eminente – estamos trabalhando em casa e ajustes precisam ser feitos. A hora é agora!

Trabalho de pesquisa com a designer Karina de Nicola

A decoração e o design dão uma mãozinha nesse processo

Assumindo que mudanças são necessárias na adaptação da sua casa para um local de trabalho, busquei o apoio de uma empresa especializada no desenvolvimento de mobiliário, acessórios e estações de trabalho para nossa coluna: a americana Hermann Miller. Criadores de peças icônicas do design e ganhadores de diversos prêmios voltados para conforto e ergonomia, essa empresa segue atenta às mudanças pelas quais os ambientes de trabalho de todo o mundo estão passando, principalmente no que diz respeito às expectativas e à forma como o trabalho é realizado, propondo que as estações de trabalho sejam convertidas em espaços permeados por uma atmosfera de compartilhamento de propósitos capazes de atrair e estimular seus usuários. Na sua linha regular, três tipos distintos de cadeiras ganham destaque:

Cadeiras Aeron / Embody / Sayl Chair da fabricante Herman Miller

Aeron: seu design e desempenho únicos trouxeram um novo conceito de cadeiras de trabalho, sem o usual estofado. Na recente reedição, a tela aplicada nas fibras que são usadas em seu encosto, ajustes independentes para as regiões da lombar e sacro, novo mecanismo que ajusta a postura e altura e novas cores: além do tradicional tom Grafite, também disponível no tom Mineral (quase branco) e Carbono.

 

Embody: possui um sistema de suporte que proporciona uma sensação de estar flutuando, mas em perfeito equilíbrio, distribuindo o seu peso uniformemente enquanto está sentado. Isto reduz a pressão e incentiva o movimento, os quais são essenciais para manter o foco e uma circulação saudável.

 

– Sayl Chair: seu encosto 3D Intelligent sem estrutura permite que você se estique e se mexa, proporcionando um equilíbrio saudável entre o suporte e liberdade. Os fios de elastômero no encosto da suspensão variam em espessura e tensão para proporcionar um maior apoio nas áreas de transição ao longo da coluna e menos nos demais lugares para incentivar uma variedade de movimentos na posição sentada.

 

No quesito acessórios, vejam as opções de suporte para laptops, monitores e CPU que farão toda a diferença na sua rotina de trabalho remoto:

Suportes: Laptop Mount / Lapjack /FLO / CPU Jaw da fabricante Herman Miller

Esses acessórios muito versáteis podem ser fixados diretamente sobre a mesa ou bancada, ou vir na opção com garras, onde a instalação permite mobilidade.

 

Maiores informações pelo website http://www.hermanmiller.com.br/

Revenda autorizada – Loja Novo Ambiente

 

Considerações sobre o conceito Home Office

 

Como o assunto é relativamente recente no Brasil, acho importante esclarecer certos pontos – e até mitos – sobre o trabalho realizado remotamente. Vamos a eles:

 

  1. Home office não significa trabalho em casa
    Apesar desta ser a tradução literal do termo, no Brasil ele define de forma genérica o trabalho que é realizado em espaço alternativo ao escritório de uma empresa. Este local pode ser – ou não – o escritório em casa. Uma pessoa pode trabalhar “home office” em cafés, hotéis, aeroportos, táxis, parques…ou em casa. O termo mais exato para definir esta modalidade de trabalho poderia ser trabalho remoto.

 

  1. Home office não é para todos
    Infelizmente nem todo profissional pode trabalhar home office. Quem é empreendedor e quer permanecer com uma empresa enxuta ou somente testar a viabilidade de uma ideia, pode abrir sua empresa em casa e começar a trabalhar. Já quem é colaborador de uma empresa depende de uma série de fatores para ser candidato a este formato de trabalho.

 

  1. Home office não é um jeito fácil de ganhar muito trabalhando pouco
    Quando alguém procura o termo “home office” nas ferramentas de busca, aparecem muitas ofertas de “trabalhe sem sair de casa”. São promessas de renda extra onde o candidato tem a possibilidade de receber valores atrativos trabalhando somente algumas horas do dia. Obviamente, há sempre uma taxa de inscrição envolvida no processo. Cuidado com fraudes na internet!

Projeto MaxHaus – adaptação de bancada e poltrona com rodízios para atender necessidade de trabalho remoto.

Trabalho é algo que se faz, e não um lugar para onde se vai

Muita coisa evoluiu desde que comecei a trabalhar home office e pesquisar sobre o assunto. Porém, muitas questões ainda permanecem, causando duvidas e estranheza. Por isso a importância de lançar uma luz sobre o tema. Se todos encararmos o trabalho remoto com a devida seriedade, em pouco tempo teremos uma situação similar a de países como EUA, Inglaterra e Índia, onde esta modalidade já faz parte do cotidiano e traz benefícios para milhões de empresas e trabalhadores.

Compartilho a seguir algumas considerações relevantes a serem observadas na montagem de uma estrutura home office:

 

Identificação do local dentro de casa para acomodar a nova área de trabalho.

Não há uma regra na definição do cômodo ideal, mas a área total disponível e sua funcionalidade devem ser levadas a sério. Evite comprometer ou sacrificar ambientes funcionais da casa na criação da sua estação de trabalho: o quarto não seria o local mais indicado para casais, assim como a sala de TV não seria a escolha ideal numa casa com filhos.

 

Adaptação do layout existente para atender essa nova demanda. Tente reaproveitar um móvel existente de forma definitiva. Evite usar sua mesa de jantar para trabalho, ou pior, sua cama! Um aparador, escrivaninha ou bancadas retráteis cumprem bem essa função sem grandes gastos.

Investir nas peças corretas

Como vimos anteriormente, investir numa boa cadeira ajustável e acessórios para apoio de monitores, laptops e iluminação adequada asseguram que sua saúde e condições físicas sejam preservadas.

 

Dicas Funcionais para sua área de trabalho em casa:

 

– Se o período em que permanecer sentado não for tão longo, obviamente outros tipos de cadeira poderão ser considerados.

– Na sequência a seguir optei por um móvel coringa que atende como cadeira ou escada, possibilitando fácil acesso aos livros da estante.

– Bancos também são pecas estratégicas para se ganhar espaço. Quando estão fora de uso, vão para debaixo da mesa.

– A luminária de piso, que antes atendia o ambiente de leitura, agora serve como iluminação direta para a mesa de trabalho. Nesse caso, use um dimmer – aparelho que regula a intensidade da luz incidente.

Sala de leitura anterior convertida em área de trabalho, com mesa e cadeira/escada da loja Secrets de Famille.

Por hoje ficamos por aqui.

Até a próxima!