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Decoração e Design

Ilustração: Claudia Liz / Fonte: ambientação no antiquário NN Antiques

Por traz da história…

Sim, nossas lembranças nos acompanham, invariavelmente. Buscamos, ainda que de maneira inconsciente estabelecer uma espécie de conexão com recordações do passado, um tempo onde algo especial aconteceu e no qual nos percebemos satisfeitos por alguma razão. Por vezes esse elo se faz presente em nossas rotinas por intermédio de um móvel herdado, de uma aquisição numa viagem, ou como resultado de um garimpo por algo que desejamos. Nessa trajetória esbarramos neles: nos antiquários! Essa coluna busca apresentar, esclarecer e desenvolver o tema a fim de que saibamos resgatar o que eles oferecem de melhor: o valor agregado.

Um referencial

Da sociedade entre o jovem arquiteto e colecionador Raphael Nasralla e o economista Tadeu Nasser, sócio da antiga Stiledoc, surge o antiquário NN Antiques, com as iniciais dos sobrenomes dos dois apaixonados por décor do século 19 e do século 20 – neste, especialmente de suas décadas de 1930 e 40, 1970 e 80.

coleção de muranos Fratelli Toso Itália anos 50
Par de abajoures em marmore Italia dec 1970
Aplique em cristal Maison Jansen França anos 40
Tapeçaria Diana a Caçadora França anos 30
Sofá França Sec XIX
Pendant de Gueixas era Meiji

Trabalhando juntos desde 2014, eles montaram na casa da Alameda Franca, 631, nos Jardim Paulista, toda original em estilo Art Déco, e com nove ambientes internos, um mix dos respectivos acervos que vem sendo enriquecido todos os dias com “novidades”, nos estilos mais variados – do Grotto veneziano e, fortemente, do Art Déco até o móvel japonês, ou Império, ou mesmo Biedermeyer.

Esculturas Guanyin China final sec XIX
Vasos em cerâmica Carters Alemanha dec 60
Esculturas em madeira policromada Sudeste Asiático sec XIX
Grupo escultórico Art Deco em Bambotin Portugal anos 30
Busto art Deco Goldscheider designer Rudolf Knörten Áustria anos 20
Vaso Art Deco Amphora Checoslováquia anos 20
Caixa art Deco em rosewwod França anos 30

Mais que um antiquário de peças exclusivas e escolhidas a dedo, vindas da Europa (França, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Itália, Portugal), da África ou do Oriente – Japão e China –, e mesmo brasileiras de ótima qualidade, o antiquário NN Antiques é também um escritório de arte, pois gravuras são alguns dos itens prediletos de Tadeu, que sabe oferecer um pot-pourri variado para seus clientes, colecionadores e amantes do antiquariato.

Vaso Art Deco Amphora motivo passaros Techoslováquia anos 20
Prato azul Gouda Holanda Seculo XX
Bandeja em ceramica por le Garrec França anos 30
Comoda Biedermeier Austria sec XIX
Biombo em tempera sobre madeira Brasil dec 1940

Em visita ao NN antiquário, trouxe para nossa coluna alguns questionamentos pertinentes, prontamente respondidos pelo Raphael e Tadeu:

NL – Para o grande publico, qual seria a definição mais abrangente do conceito de “Antiquário”?
NN- A definição mais tradicional para a palavra antiquário, consiste em um estabelecimento que comercializa peças de mobiliário e objetos com mais de cem anos de existência. Atualmente, essa noção de antiquário é encarada de maneira mais contemporânea e descontraída, comercializando não somente objetos centenários, mas peças que marcaram época pelo estilo e beleza.

Biombo em tempera sobre tela França inicio do sec XIX
Poltrona em laca Dinastia Qing China sec XIX

NL – Nos dias de hoje, onde surgem novos designers de pecas e mobiliário a cada dia com grande visibilidade na mídia, e difícil manter o interesse do publico sobre os itens garimpados?
NN – Em meados do século XVII, Lavoisier cunhou a célebre frase “Nada se cria, tudo se transforma”. Esse mesmo pensamento se aplica ao mercado de design: se analisarmos os produtos voltados para decoração, atualmente, nota-se a influência do passado, cada vez mais presente nas peças contemporâneas. É necessário também levar em consideração as peças atemporais, móveis e objetos cujas características transcendem a questão de “época”.

Centro der mesa Paul Millet Vermelho França anos 30
Backlight de teatro França anos 40
Bandeja Bauhaus
Bordado era Meiji Japão sec XIX

NL – Na curadoria de vocês, ja entrando no século XX, temos abrangência das décadas de 1930-40 e depois 1970-80. O que nos dizem sobre os anos 1950 e 60?
NN – O acervo da NN Antiques, de fato, é constituído por peças que, em sua maioria, pertencem ao século XX, porém, não descartamos a possibilidade de utilizar móveis ou objetos manufaturados em outros séculos para complementar uma decoração contemporânea. Na verdade, não escolhemos as peças pela década em que foram feitas, mas sim por estilos e materiais em que são confeccionadas. É possível encontrar, dentre o acervo da loja, peças pertencentes às décadas de 50 e 60, no entanto, não me refiro aos ditos “móveis modernos”, caracterizados pelas linhas retas e o uso do jacarandá como matéria-prima. Esse estilo não faz o gênero da loja e não complementa o acervo.

Comoda, espelho e cadeira venezianas no estilo Neo Rococó Itália final sec XIX

NL – Contar a historia por traz de cada peca ou mobiliário faz parte do processo de venda? Por experiência, a grande procura se da pela estética propriamente dita ou pela representatividade de um item?
NN – Sim, certamente as informações sobre procedência, estilo e manufatura fazem parte do processo de venda. O acervo NN Antiques é o resultado de uma curadoria, é a soma do impacto visual com o conceito da loja, aliado a um bom atendimento, sempre alimentando o consumidor com informação.

Tadeu Nasser – NN ANTIQUES
www.nnantiques.com.br @nnantiques
Alameda Franca 631, São Paulo SP Tel. (11) 3263-0798 (11) 99665 6631

Por hoje ficamos por aqui!

 

Ate a próxima!

Decoração e Design

“É necessário sair da ilha para ver a ilha”

Bom dia! É com um trecho de José Saramago que abro a nossa coluna da semana que aborda alguns erros comuns que tendenciosamente assumimos em nossas casas e que atrapalham a rotina sem nos darmos conta da origem dos transtornos. Muitas vezes, enxergar a situação de fora para dentro pode trazer as respostas que buscamos. É a chamada “visão dissociada”.

Ter uma trena a tiracolo não deveria ser coisa apenas de arquiteto ou decorador

É fundamental pensarmos da funcionalidade dos ambiente e arranjos – agir por impulso é sempre ruim, e na decoração não poderia ser diferente. Nas reuniões iniciais com os clientes, já ouvi diversas vezes frases do tipo: “comprei porque estava na promoção”, “achei que ia combinar”, “não fazia ideia de como era grande”, “o sofá da minha sala é retrátil, mas não serve para nada”, e por ai vai!
E com base nesses questionamentos, vamos esclarecer algumas regras básicas que poderão minimizar os impactos finais na sua casa:

. Excesso de enfeites:
Para imprimir sua personalidade sem poluir ou “diminuir” o ambiente, eleja um ou dois objetos de destaque para cada móvel e descarte os demais, livrando-se daquilo que já nem é percebido. Para os colecionadores, a dica é manter pisos e paredes em tons neutros, deixando que o estilo sobressaia pelos elementos decorativos e móveis menores, como aparadores e mesas laterais. Organizar as coleções em prateleiras na parede desobstrui os campos de visão, imprimindo a sensação de ordem.

. Falta de assentos:
A conta é: quantas pessoas podem ser acomodadas na sua casa? Se a mesa de jantar tem quatro cadeiras, o ambiente de estar deve acomodar quatro pessoas, e assim por diante. Essa regra de proporção deve ser considerada sempre! De que adianta ter uma sala de estar superdimensionada e uma mesa de jantar que atenda apenas quatro convidados? Não é a falta de espaço a desculpa para a falta de assentos. Soluções como banquinhos empilháveis, pufes debaixo de aparadores e mesa de jantar extensível permitirão que você tenha a mão opções para atender seus convidados sem maiores transtornos.

. Alturas equivocadas:
Tudo o que vai na parede deve ser previamente planejado, como já vimos em colunas anteriores. Quadros colocados aleatoriamente podem tomar muito espaço e dar a sensação de que a parede encolheu. Quanto a luminárias e pendentes: eles devem compor o ambiente sem interferir nos campos de visão. Normalmente a altura ideal é indicada pelo fabricante, então sempre avalie com cautela a colocação de quadros nas paredes que farão fundo aos pendentes.

. Proporção dos móveis:
Mobiliário volumoso requer ambiente amplo. Não se deixe levar pelo preço de uma promoção ou pela falsa sensação de conforto de ter um sofá retrátil incrível na sua sala se quando ele estiver aberto o caminho for obstruído. Estude se ele não vai atrapalhar a circulação das pessoas quando estiver aberto. O mercado oferece uma infinidade de móveis sob medida que poderão se encaixar perfeitamente na área disponível que você possui, garantindo uma boa circulação e otimizando os espaços. Vale o investimento.

. Mistura de revestimentos:

O espaço parecerá menor na medida em que houverem mais interferências visuais por conta de estampas e cores no chão e na parede. Por isso, investir em cores claras e revestimentos neutros vai garantir a sensação de amplitude, permitindo que a ousadia venha por meio das estampas de almofadas, cores dos objetos e cortinas. Eleja uma paleta de cores e a partir dela inicie a composição das estampas.

Dicas: Tapetes

A funcionalidade do tapete independe do tamanho do imóvel ou do espaço disponível. Alguns critérios devem ser observados no intuito de assegurar o conforto com o investimento.
Essa peça é estratégica numa composição, pois une elementos e delimita o espaço do ambiente, por isso a definição da estampa e tamanho são fundamentais para o sucesso estético e funcional do projeto.
Alguns tapetes são vendidos por peça, outros por metragem – levar a planta ou croqui do cômodo na loja pode evitar erros comuns no dimensionamento.

Escolha e adequação:
– Se o sofá e poltrona forem coloridos ou estampados o tapete deverá ser neutro, no intuito de evitar conflitos visuais.

. Na sala de estar: o tapete deve avançar cerca de 20 cm para baixo do sofá, rack e poltronas a fim de assegurar o efeito de delimitação harmônica do espaço e também evitar deslizamentos.

. No ambiente de jantar: considere o espaço das cadeiras para fora da mesa como se estivesse sentado e adicione cerca de 20 cm de folga, assegurando dessa maneira que as cadeiras não fiquem para fora do tapete. Aqui, evite tapetes felpudos e densos, pois as cadeiras poderão danificá-lo.

Salas de jantar funcionam muito bem sem tapetes e passadeiras ao lado das camas também atendem a necessidade. Aqui, dicas são meras sugestões.

. No quarto: considerando o tapete em baixo da cama, partimos da distância de 1,00 m desde a cabeceira, avançando cerca de 1,50 m após o término da cama.

Falando com especialistas!

Parceiros em diversos projetos, fui buscar informações técnicas para enriquecer nossa coluna com a by Kamy, referência nacional no mercado de tapete. A qualidade e originalidade das peças endossam a dedicação dos empresários Kamyar Abrapour e Francesca Alzati à frente de todos os processos.

O diferencial não está apenas no que representa. O ciclo se apoia na criatividade e na superação dos artesãos e, a partir deste conceito, surgem produtos e projetos que unem sustentabilidade, responsabilidade social e tudo o que está relacionado aos valores humanos.

“Podemos observar mudanças em todos os lugares do mundo, especialmente em relação à originalidade das criações. O mercado desafia o novo, o diferente. Essa é a alma do design”, explica Francesca.

“A arte do tear evoluiu com a tecnologia e a matéria-prima, o que também contribuiu para agregar valores ao desafio de novas possibilidades. O tear é a nova tela em branco dos artistas, proporcionando o atrevimento no uso de cores acentuadas e nuances, novas texturas, efeitos, sombreamento, reprodução de imagens e tridimensionalidade. Não só as técnicas ganharam novas ferramentas, assim como os conceitos abriram as portas para a imaginação. O processo de criação das peças permite a incorporação de elementos abstratos inspirados no contemporâneo, na individualidade, no expressionismo e na vanguarda”, completa.

1) Tapetes Kilim enrolados
2) Tapete persa
3) Vendedora Jamilah Freitas que me atende na loja da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo
4) diversos modelos empilhados

Levando em conta uma infinidade de modelos, procedências e valores de tapetes, listamos os mais procurados pelos consumidores e suas principais características:

. Ziegler: originário do Paquistão, em sua maioria são produzidos artesanalmente em tons terrosos com estampas de vasos e arabescos. É o mais clássico e imponente dos tapetes.
Ponto positivo: peças artesanais exclusivas e consideradas como obras de arte.
Ponto negativo: preços altos devido ao processo de manufatura.

Persa: leve, com franjas e com estilo clássico oriental nas estampas, esses tapetes são produzidos na região da Pérsia – Cauchos, Irã e arredores. Tornaram-se mundialmente conhecidos pela facilidade no transporte.

Ponto positivo: peças leves e versáteis.
Ponto negativo: estampas demasiadamente marcantes.

. Kilim: geralmente com estampas em cores vibrantes (geométricas ou listras) são tapetes sem pelos, estando dentre os mais despojados por serem versáteis, com um design contemporâneo e atemporal.
Ponto positivo: custo/benefício.
Ponto negativo: podem incomodar os alérgicos devido aos fiapos das tramas.

. Sisal: de toque rustico, este tipo de tapete tem sua produção marcada no interior dos estados de Minas Gerais e Bahia, já com grande representatividade no mercado exterior.
Ponto positivo: preço e versatilidade
Ponto negativo: não pode ser molhado em hipótese alguma, pois mancha

. Sintético: são os tapetes produzidos à máquina a partir de fibras artificiais, tais como o vinil ou nylon, e por essa razão são os mais populares no mercado, mas não necessariamente os mais baratos. Podem ser lisos ou ter estampas personalizadas.
Ponto positivo: peças de fácil limpeza e manutenção
Ponto negativo: cuidado com réplicas de baixa qualidade no mercado

Sempre que possível, solicite na loja a demonstração de duas a três peças antes de fechar a compra – nada como ver o tapete no lugar para evitar contratempos.

Até a próxima!

Decoração e Design

Quando menos é mais!

Ilustração: Claudia Liz / Fotos: Evelyn Muller

Como lidar?

Hoje em dia a procura por imóveis pequenos tem sido o foco de muitas pessoas, visto as possibilidades de mobilidade e praticidade nas rotinas. Na coluna dessa semana vamos entender que morar bem não tem relação alguma com espaços amplos ou grandes investimentos na decoração. Vamos esmiuçar meu projeto no bairro de Moema, em São Paulo, numa área total de 38m2 que atendeu a um jovem casal carioca: ele chef de bistrot e ela estudante de publicidade. Ambos recém-chegados na capital paulistana, adoram cozinhar e amam os prazeres da mesa. Saudosistas, pediram que o projeto refletisse cores e aspectos da cidade maravilhosa, mas sem exageros! Então apostei no mobiliário planejado para otimização do espaço restrito: muitos armários, cama com baú e prateleiras de sobra na cozinha para armazenar um verdadeiro arsenal de utensílios gourmet. A sacada externa foi fechada com cortina de vidro para acomodar um ambiente de jantar. O ladrilho hidráulico no chão compôs muito bem com a mesa de madeira de demolição e as cadeiras em acrílico trouxeram o equilíbrio. A atmosfera carioca foi traduzida no conjunto de fotografias emolduradas na parede, além de pequenos adornos arrematados pelas cores azul e laranja.

Decisões importantes

Num projeto de decoração, é preciso entender o modo de vida dos moradores: características pessoais, necessidades especiais, paleta de cores possíveis e o mais importante: o orçamento disponível para obra e decoração. Desde a sua concepção, tudo deve ser proporcionalmente dimensionado, afinal de que vale investir num porcelanato exclusivo se não houver recurso para uma boa marcenaria posterior?
Algumas soluções são bastante estratégicas para minimizar sensações de desconforto num ambiente pequeno. Vejam as dicas:

– Parede em dry wall para divisão da cozinha e sala de TV. A existência de cômodos distintos pode ser uma alternativa interessante.
– Prateleiras substituem armários fechados, ampliando os campos de visão.
– Fechamento da sacada com cortina de vidro possibilita a integração de um novo ambiente. Nesse projeto, adotei uma mesa com 4 cadeiras.

– Cama box com baú inferior acomoda itens volumosos e de pouco uso.
– Armários com portas de correr e puxadores discretos não atrapalham a circulação.
– Espelhos na parede ou porta dos armários conferem sensação de profundidade.

– Diferentes cores na parede e marcenaria delimitam os espaços com elegância.
– O painel de madeira ao fundo ainda cumpre as funções de cabeceira da cama e estrutura para criado mudo.
– A disposição de quadros e adornos na parede complementa a definição dos ambientes do quarto e sala.

Entrevista concedida para a revista MENSCH

No final do ano passado, conversei com André Porto, editor geral da revista MENSCH, justamente sobre a tendenciosa busca por soluções menores para se viver. Acompanhem o nosso papo:

AP – Esse projeto de Moema, com 38 metros quadrados mostra uma tendência na escolha para morar. Antes a procura por esse tipo de espaço era para solteiros. Isso está mudando. Os casais estão optando por espaços menores?
NL – Essa tendência é muito marcante nas grandes cidades, e as construtoras perceberam a necessidade do acolhimento de jovens vindos de fora para estudar ou trabalhar. Com o passar do tempo, esses empreendimentos foram tomando formas mais atrativas, incorporando na sua estrutura serviços customizados como manobrista, lavanderia coletiva, academia, concierge, espaços gourmet, piscinas aquecidas… e essas iniciativas chamaram a atenção dos casais sem filhos. Em tempo, esses imóveis também são os preferidos dos investidores, já que os valores de compra e o giro tanto para locação quanto venda são bastante atraentes.

AP – Na sua maioria os clientes atribuem a escolha por essa metragem por conta da crise ou da praticidade?
NL – Os valores desses imóveis são interessantes, mas não necessariamente baixos. Busca-se atender um determinado nicho que preza por um certo requinte com praticidade. Em muitos casos, os moradores já possuem um outro imóvel numa outra localidade, e a busca por essa solução vem para substituir os tradicionais flats, por vezes caros e impessoais.

AP – Nesse projeto os donos já tinham ideia do que queriam ou você teve que trabalhar todas as ideias?
NL – Foi um verdadeiro “namoro”. Vivi 11 anos no Rio de Janeiro, onde fiz vários amigos e conheci muita gente. O casal que me procurou nesse projeto veio de lá, e foi justamente para preencher a lacuna que os cariocas usualmente sentem quanto chegam na “terra da garoa”. A necessidade de resgatar as origens é um ponto de partida importante em qualquer projeto.

AP – Como acontece a “criação” do designer de interiores junto ao cliente que não sabe exatamente o que quer?
NL – Uma espécie de anamnese faz parte do escopo. Cativar é parte do processo. Habilidades interpessoais são requeridas do profissional de interiores – estabelecer um clima de confiança é fundamental; num simples bate papo tenho que captar as necessidades, expectativas e valores de cada cliente. Parto sempre da premissa de que não existe bonito e feio: o que é importante para mim, pode não ser para o outro, e vice-versa.

AP – Tudo tem que caber dentro do orçamento do cliente. É possível hoje fazer mais com menos?
NL – O grande desafio nessa profissão seria atender as expectativas – é preciso conhecer desde a peça mais imponente até a solução mais estratégica. Transitar com naturalidade entre uma obra de arte e uma gravura emoldurada é a grande sacada. Produzir um ambiente é relativamente fácil, mas é no encanto e na transformação que está o fio da meada. Esse projeto do estúdio é um bom exemplo: utilizei de diversos recursos alternativos sem abrir mão dos critérios demandados pelos clientes. A vida se torna mais simples quando nossas crenças e tradições são preservadas.

Outras fotos e informações desse projeto estão no site www.newtonlimainteriores.com.br

Nos vemos na próxima!

Ate lá!

Decoração e Design

O olhar transformador

Ilustração: Claudia Liz

Lonas de caminhão, pedras, chapas de aço, pedaços de madeira. Elementos que vimos ao lado saltam aos olhos de artistas como que querendo transmitir uma mensagem. A ressignificação do ordinário é parte do processo criativo – não é preciso entender, mas sentir. Por vezes nos desconectamos do que aparentemente faz sentido e damos voz ao nosso silêncio. Nessa coluna, digo que “ouvi” as pinturas de Aécio Sarti e esculturas de Luiz Philippe; acompanhem comigo seus universos apurados.

Foto: Rafael Lima

Aécio Sarti, artista plástico, usa como matéria prima principal para sua arte, lonas de caminhões usadas.

“A minha inspiração vem de pessoas que encontro pelo caminho”.

Natural de Aracajú, formado pelo Colorado Institute of Arts (EUA), Aécio Sarti pinta o belo em suas representações humanas. Seja através de um trabalho rico em detalhes e cores ou de pinceladas soltas, grafitadas, monocromáticas, ele mostra a beleza de seus retratados em uma atmosfera muito particular. Uma atmosfera descomprometida com o olhar do outro, criada por Aécio para dar sentido à sua própria vida.
Seus quadros apresentam histórias, sejam elas vividas, contadas, idealizadas, ou que somente deflagram sua constante busca por novos traços, novas técnicas, novos suportes e novas maneiras de dialogar com o mundo.

Obra: “O céu que me guia” medidas: 215 x 159 cm

Sua carreira começou aos 14 anos de idade vendendo suas obras em praças e feiras da cidade. Com 16 teve suas primeiras aulas de pintura, e no final da década de 70, muda-se para os Estados Unidos e ingressa no Colorado Institute of Arts, em Denver. Lá, realizou suas primeiras exposições.
Na sua volta ao Brasil viu-se obrigado a parar de pintar devido à crise financeira do país, e por vinte anos trabalhou na área de exportação com companhias aéreas deixando totalmente sua arte de lado. Em 2002, largou tudo, mudou-se para Paraty onde mantém um atelier de portas abertas ao público e não parou mais. Já foram mais de 20 exposições entre a América do Sul, Norte e outros continentes.

Obra: “Extensão de si mesma” medidas: 160 x 140 cm

Um dos seus maiores projetos, foi “Céu de querubins” – uma lona com 96 metros quadrados, totalmente retratada com dezenas de querubins – que serviu para proteger a carga de potes de barro comercializada por três caminhoneiros desde o sertão da Bahia, até o sudeste do Brasil. Esse projeto virou um curta-metragem dirigido por Gustavo Massola e produzido por Daniel Sarti, filho de Aécio. O curta já ganhou inúmeros prêmios nacionais e internacionais. Vejam o trailer a seguir (curta metragem completo no site: www.aeciosarti.com)

Trailer do curta metragem “Céu de querubins”

NL – Aécio, você poderia explicar o “por que” da escolha desse material na sua arte?
AS – Eu sempre busquei uma boa textura para pintar. Acho que ao longo da carreira os pintores sempre procuram novos suportes interessantes para trabalhar. Quando comprei a primeira lona me dei conta que, além da textura, da cor e de toda sua beleza, eu também tinha em mãos um objeto impregnado de histórias vividas nas estradas. Cada pedaço, cada remendo, cada marca me conta algo. A lona tem uma energia diferente. Toda lona que uso me traz uma nova história, uma nova possibilidade.

Obra: “Transparência” medidas 150 x 150 cm

NL – Seu atelier em Paraty é aberto ao público. Ao mesmo tempo em que você trabalha, recebe as pessoas. De que maneira essa interação reflete na sua arte?
AS – Cada artista tem sua maneira de trabalhar ou acabada desenvolvendo uma dinâmica própria por alguma necessidade específica. Talvez a maioria prefira o isolamento no momento da produção. Pra mim, trabalhar de portas abertas é algo natural. Na vida pessoal sou bastante recolhido, então, ter as portas do atelier abertas é uma maneira de me renovar e de me inserir no mundo. Posso dizer que o mundo passa pelo meu atelier. Muito do que as pessoas me trazem no dia a dia acaba influenciando minha produção, desde a cor da roupa que o visitante usa até as histórias que ele conta. Um espaço aberto também democratiza a arte. Todos, sem distinção, podem entrar e me ver pintar. Presenciei diversas situações em que a arte tocou profundamente alguém. Talvez isso não tivesse acontecido na vida dessas pessoas se não tivessem encontrado um espaço onde se sentissem à vontade para apreciar e falar sobre arte da maneira que quisessem, sem aquela velha insegurança de ter que “entender” de arte para interagir com ela.

NL – O projeto “Céu de querubins”, essa imensa lona de 96 metros quadrados retratando dezenas de querubins, percorreu muitos quilômetros pelo Brasil protegendo uma carga de potes de barro e acabou virando um curta-metragem premiado nos principais festivais do mundo. O que essa experiência trouxe para você?
AS – O maior aprendizado que fica disso tudo é que a vida sempre nos recompensa quando fazemos algo com amor. Quando eu estava pintando essa lona enorme ou quando conversávamos com o diretor do filme sobre o andamento das coisas, não pensávamos nos prêmios. Óbvio que isso também é importante, mas o que me motivava mesmo era a possibilidade de viver uma história interessante, de compartilhar experiências e experimentar algo novo. Naquele momento era minha arte alcançando novos horizontes. Entramos nessa jornada para aproveitar o caminho e não apenas as recompensas da chegada. Acho que quando embarcamos em algo que realmente acreditamos o que nos guia é o amor por aquilo. “Céu de Querubins” começou com a certeza que estávamos fazendo algo que valia a pena. Não tivemos nenhum patrocínio, nenhuma assessoria. Nada! Mas estávamos tão certos daquilo e tão alinhados que nos sentíamos gigantes. Talvez esse tenha sido o segredo de chegarmos tão longe. O que vivemos nesse projeto foi uma grande poesia, e essa poesia continua nos alimentando e nos dando lições diárias.

Obras de Aécio Sarti

Luiz Philippe Carneiro de Mendonça é mineiro e radicado no Rio de Janeiro. Curiosamente, passou a infância morando numa usina de ferro pertencente à sua família, muito ligada às artes e aos artistas.

“Acho que a melhor via para tocar as pessoas é aquela do prazer e, melhor ainda, com humor e alguma poesia.”

Obras: “Leite Derramado” / “Malas de Pedra” / “Casa Imprópria” / “Cavalos”

Durante os anos 60, seu pai, então diretor do Museu de Arte Moderna de Belo Horizonte (Museu da Pampulha), propicia os primeiros contatos com o mundo das artes. Nesse período conheceu o atelier de Guignard em Ouro Preto e conviveu intensamente com Frans Krajcberg, com quem mantém contato e proximidade.
Graduado em Desenho Industrial, no início de sua jornada profissional foi sócio em um estúdio de design, onde se dedicou à diversos trabalhos gráficos.
Paralelo à profissão de designer, e desde sempre, exerceu atividades na área das artes plásticas, seja desenho, pintura, escultura e fotografia.
No começo dos anos 80 se casa e segue para Paris onde trabalha num importante estúdio de design e passa a residir no atelier de Krajcberg, em Montparnasse, gentilmente cedido pelo consagrado artista e amigo.
Ao retornar da Franca, Luiz Philippe se estabelece com a família no Rio de Janeiro, onde por quase vinte anos mora e trabalha num casarão neoclássico do século XIX no charmoso Cosme Velho, o Solar dos Abacaxis, que pertenceu ao avô historiador, cuja atmosfera vem influenciar diretamente o seu trabalho.
Atualmente seu atelier fica em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, de onde nos falou um pouco sobre sua trajetória e principais influências!

Obra: “Cadeira”

NL: Com ironia e irreverência, seus trabalhos despertam sorrisos e cativam atenções; do que trata sua obra?
LP: Meu trabalho tem uma ligação muito forte com a memória. Eu costumo dizer que o exercício da memória traz junto uma sensação de prazer! Tanto para o artista quanto para o observador.
Acho que a melhor via para tocar as pessoas é aquela do prazer e, melhor ainda, com humor e alguma poesia. Não faz parte do meu processo tentar dizer alguma coisa simplesmente chocando as pessoas. Acho um caminho fácil e curto. Curto no sentido de pouco alcance.

Obra: “Icarus”

NL: Como surgiram as emblemáticas Malas de Pedra?
LP: A ideia surgiu num insight. De repente, num clique, em 1996. Mas isso não vem de graça. É claro que a nossa mente já reúne e carrega os pré-requisitos e “configurações” necessárias para que uma ideia se forme num clique!
Acho que a Mala de Pedra tem relação com a bagagem, boa ou má, que a gente carrega pela vida. Tem a ver com a existência humana e, obviamente, com a memória. A pedra está ali não apenas como matéria prima da obra, mas sim com sua presença física. É a pedra no papel dela mesma, ainda que se passando por uma mala! Todo o peso do seu elemento tomando um significado desconcertante ao receber uma singela alça de couro.
Mas o que mais me interessa é a imediata assimilação que elas têm por parte do público, das mais diversas esferas sociais e intelectuais. As malas se prestam às mais variadas interpretações individuais. E acho que é através do humor que isso acontece, do prazer e até certo alívio que as pessoas sentem ao ver a escultura.
Aconteceu uma coincidência incrível que ilustra bem isso: durante uma das edições da ArtRio, eu tomei um taxi e estava conversando com o motorista sobre o evento. Ele me contou que foi à ArtRio levando um cliente, e aproveitou para entrar e conhecer. O que mais o marcou em todo aquele universo de arte foi uma obra em que “um cara pegou umas pedras e prendeu umas alças de mala”. Ele contava isso com o maior entusiasmo e nem imaginava que “o tal cara” estava ali no seu taxi!

Obras de Luiz Philippe

NL: Quais são suas principais influências e inspirações?
LP: Apesar de eu ter uma certa implicância com o rótulo de surrealista, não dá para negar algum encanto por alguns aspectos desse movimento. Alguns trabalhos meus tem vínculos claros com o surrealismo. Nesse universo, gosto de muitos trabalhos de Giorgio De Chirico e Man Ray, só para citar dois.
Tenho uma atração que me persegue a vida toda por história e arqueologia. Isso, de alguma forma, acaba refletindo também em meu trabalho. Mas não me sinto preso a qualquer influência determinada. Se eu fosse enumerar os artistas cujo trabalho eu admiro, e que poderiam me influenciar ou inspirar, a lista seria enorme! Acho que funciona mais como um estimulante!

Foto: Sergio Baia

E com a bagagem lotada de inspiração, fico por aqui.
Até a próxima!

Decoração e Design

Ao sair, apague a luz!

Ilustração: Claudia Liz

Bom dia! O que antes era uma mera questão de consciência, hoje segue encabeçando nossa planilha de orçamentos domésticos: a conta de luz. Nem sempre tivemos razão para refletir sobre o processo e custos de produção da energia elétrica, mas após sucessivas ameaças de racionamento fomos conduzidos não só a entender como a estabelecer limites severos nas rotinas diárias.
E vale relembrar o desconforto vivenciado com a crise hídrica, onde nos habituamos quase que instantaneamente com termos do tipo “volume morto” e “sistema Cantareira”. Gráficos e cores nas contas de luz, planos de incentivo e multas por excesso vem moldando nosso modelo de consumo, mas será que estamos criando juízo na origem do entendimento ou seguimos simplesmente com receio das despesas no final do mês?

Projeto Ipanema com luminária de teto “Birdie” do designer Ingo Maurer / Foto: Denilson Machado

A iluminação correta transforma qualquer ambiente

Ela é responsável pela nossa primeira impressão sobre um espaço, trazendo também a sensação de conforto visual. Definir um projeto de iluminação está diretamente relacionado a proposta do ambiente considerando que apenas com luzes diferentes uma mesma sala pode ganhar um tom intimista, romântico, alegre e agregador. Por outro lado, erros podem ser comprometedores: um local mal iluminado se tornará frio, insosso e impessoal por não ter suas características valorizadas.
Para facilitar o entendimento, destaco os tipos mais comuns de pontos de luz:
– Difuso: luz que não incide num único foco direto e que visa iluminar o ambiente como um todo, por exemplo, pontos de luz no teto;
– Indireto: luz restrita, que compõe a decoração do ambiente com pequenos focos de luz (bocais, abajures, luminárias de piso);
– Dirigido: luz proveniente de uma direção única, e que geralmente ilumina um objeto especifico (spots, arandelas, pendentes).

Projeto MaxHaus com Luminária de teto “Poppy” da Serien Lighting / Foto: Paulo Brenta

A luz adequada para cada cômodo

Hall
Aqui está a primeira impressão – a atmosfera deve ser convidativa, então pontos de luz difusos exercerão um papel correto nesse caso.
Tipo de luz: quente/amarela

Sala de estar
É o onde as pessoas recebem e passam a maior parte do tempo, então a luz deve ser confortável aos olhos e, ao mesmo tempo, possibilitar conversas e entretenimento com a TV, se for o caso. As luzes podem ser focadas nas áreas de leitura ou lazer; spots no teto ou arandelas na parede poderão destacar os quadros. Abajures nas mesas laterais valorizam objetos de decoração e dão um tom intimista.
Tipo de luz: quente/amarela

Sala de jantar
Muito embora o projeto deva contemplar a sala inteira, o foco da iluminação está na mesa. Pendentes são muito comuns nesses casos, e o uso de um dimmer (aparelho que regula a intensidade da luz) vai assegurar o tom desejado a cada ocasião, desde jantares românticos com luz baixa, até um encontro de amigos, com intensidade maior.
Tipo de luz: quente/amarela

Cozinha
Como se trata de um ambiente de atividade intensa, a iluminação deve ser bem clara, até para evitar acidentes. O ideal é instalar pontos difusos ao longo do layout com luminárias apropriadas.
Tipo de luz: fria/branca

Escritório, banheiro e área de serviço
Vale a mesma regra da cozinha. Luzes fracas causam sonolência, então pontos de iluminação forte são mandatórios, mas considere lâmpadas fluorescentes e led que aquecem menos.
Tipo de luz: fria/branca

Quarto
Aqui a iluminação deve ser mais confortável. Considere um ponto central abrangente e pontos indiretos auxiliares por meio de arandelas na parede ou abajures nas mesas laterais da cama para leitura.
Tipo de luz: quente/amarela

Projeto Jardins I, Luminária de teto “Zettel’z” do designer Ingo Maurer / Foto: Evelyn Muller

Papo com pessoas de luz!

Com frequência costumo dar um giro pelas principais lojas no intuito de avaliar as novidades e tendências. Nessa empreitada, não pude deixar de passar por um lugar de referência absoluta quando pensamos em castiçais, lustres e candelabros desenhados e esculpidos a partir do mais puro cristal: a PASSADO COMPOSTO. E lá me encontrei com quem sempre me recebe carinhosamente de braços abertos e a quem não poupo elogios: Cida Santana!

NL – Cida, além de iluminação, a PASSADO COMPOSTO também é um antiquário referencial para os arquitetos e decoradores. Qual estilo você segue?
CS – Estou há 30 anos no mercado, e posso assegurar que somos especializados em artes decorativas no estilo neoclássico. Iniciei como antiquaria focada em peças europeias e então fui introduzindo meus lustres, abajures, castiçais e arandelas no portfólio – todos desenhados e desenvolvidos por mim a partir de cristais e muranos, mas com grande enfoque nas pedras semipreciosas brasileiras. Tamanha foi a visibilidade que nos últimos anos tenho me dedicado a redes hoteleiras como o Park Hyatt de Buenos Aires. Já exportamos para diversos destinos, e no Brasil fomos pioneiros no projeto da joalheria Vancleef. Temos muita história para contar ao longo de tantos anos e parcerias.

NL – E como é o seu processo de obtenção das matérias primas e beneficiamento até a montagem final das peças?
CS – Na verdade meus projetos não contemplam nenhum tipo de beneficiamento das pedras – trabalho com cristais puríssimos, brutos mesmo, da forma como são extraídos das minas. São formas naturais facetadas pela natureza, e por isso originais e exclusivas. Nossos fornecedores são devidamente certificados, e todas as peças produzidas são autenticadas por um gemólogo – Rafael Lupo Medina – nosso parceiro há diversos anos.
É um processo essencialmente artesanal – no intuito de completar o desenho na sua forma original a concepção de um lustre pode chegar a 1 ano. Outras peças também produzidas por mim como abajures e arandelas no estilo clássico revisitado, por vezes contemporâneo, são reedições autênticas das peças originais datadas dos anos 40 a 60.

NL – Existe algo que você não abre mão no seu processo criativo?
CS – Todas as minhas criações trazem associações com elementos naturais, mandatoriamente.

A fundadora da Passado Composto - Cida Santana - apresenta alguma de suas criações

Prova de que nossa coluna é democrática, sairemos agora do mais alto padrão clássico para o que há de mais exclusivo na representação de grandes designers mundialmente premiados. Visitei a nova loja da FAS Iluminação, num projeto concebido por ninguém menos que o designer alemão Ingo Maurer. Mas quem comanda esse empreendimento é Arystela Rosa, com quem tive o privilégio de conversar e então compartilhar com vocês:

NL – Arystela, a FAS representa com exclusividade diversas marcas. De onde veio essa curadoria?
AR – Comecei muito cedo com uma loja de móveis, onde também seguia com representação de marcas exclusivas. Com o passar do tempo, inclui algumas luminárias e segui com uma pequena coleção do Ingo Maurer. Em 2005 tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente numa feira na Alemanha, e a partir daquele momento redirecionei o meu foco com exclusividade na iluminação.

NL – E foi essa admiração que tornou possível o acesso dessas verdadeiras obras de arte no mercado local. Vocês também representam outras marcas?
AR – Sim, temos diversos itens da Serien Lighting, Next, Classicon e Oty Light. Já com o Ingo seguimos com sua coleção completa numa espécie de acervo que conta toda a sua trajetória. Alguns são numerados, outros exclusivos, mas todos estão a venda. Outras marcas vieram pela necessidade de se compor um projeto completo – os itens do Ingo são bastante diferenciados e merecem um destaque especial.

NL – E qual é o seu maior desafio nesse cenário de instabilidade no mercado atual?
AR – Do ponto de vista de estoque local, focamos em apenas 4 marcas – Ingo, Serien, Next e Oty. Consideramos o prazo de importação em torno de 3 meses para reposição de estoque mínimo com base no giro dessas peças, de forma a termos condição de atender a pronta entrega sempre que possível. Trabalho com uma margem justa, já considerando a carga tributária envolvida. Invisto todo o meu tempo e energia nesse negócio, construído a partir da paixão e fascínio que tenho por tudo o que está aqui. Prezo muito por esse espaço e pela possibilidade de apresentar a todos algo que admiro profundamente. Somos uma loja acessível, temos itens de valor bastante competitivo e estamos sempre abertos a negociações.

Luminárias de Ingo Maurer: “Lucellino” / “Johnny B.Butterfly” / “Bulb” numa edição especial de 50 anos de criação da peça original / Aystela Rosa, proprietária da FAS.

Se liga!

– Para economizar energia e tornar o ambiente mais harmonioso, o ideal é pintá-lo em cores claras. Evite pintar muitas paredes e teto com cores escuras, pois isso exige mais luz para compensar, podendo elevar o consumo de energia devido ao acumulo de calor.
Mas nada impede o uso de uma única parede colorida, ou aplicação de papéis de parede e revestimentos diversos. Existem no mercado tintas de cor branca que refletem mais a luz, e por isso são ideais para teto.

– Para melhor difusão da luz considere o teto branco e paredes num tom “off-white” (tons de branco levemente pigmentados). Nos rodapés e portas, branco.

– A iluminação incorreta pode causar ofuscamento, ou redução na capacidade de distinguir detalhes e objetos. Isso ocorre quando a luz é mal distribuída no ambiente e apresenta contrastes excessivos. Atenção na escolha dos tipos de lâmpada e respectivas potências!

– Lâmpadas fluorescentes estão dominando o mercado. Antes utilizadas apenas em escritórios, tomaram forma e design para adequação em todos os bocais e para todas as situações. Aqui o consumo é bem menor. Avalie.

– Valorize a luz natural substituindo as cortinas de tecido pesado por tecidos mais leves, fluidos e cm alguma transparência. Se o ambiente possui pé direito alto (distância do teto ao piso) instale as cortinas bem acima do umbral, para valorizar a altura do espaço.
• Pé direito regular: 2,60 m.

– O mercado dispõe de vários modelos de persianas translúcidas com filtro solar na sua composição – considere esse atributo onde há forte incidência de luz solar, a qual poderá danificar superfícies ou mesmo alterar a cor de objetos e livros com o passar do tempo.

Fico por aqui, até a próxima!

Decoração e Design

Ilustração: Claudia Liz

A arte não tem preço, e a importância de uma obra é você quem dá. Pode ser um van Gogh ou o quadro pintado pelo seu filho. A afetividade transpõe valores e conceitos preestabelecidos.

Em decorrência das nossas próprias sequelas culturais, o termo “popularizar” tomou uma conotação banal, como se estivéssemos expondo algo corriqueiro e sem critérios. Por vezes preferimos “democratizar” para chegarmos no entendimento real da acessibilidade. As crises trazem oportunidades, quer sejam pelo fato de sairmos da nossa zona de conforto em busca da continuidade do mesmo conforto, quer nas reflexões particulares em torno do valor e da importância daquilo que nos cerca. Chegamos num limite explosivo e agora, aos poucos, vamos nos desvinculando dos conceitos previamente atribuídos e passamos a dar uma importância maior ao que está a nossa volta e que cabe no nosso bolso.

Inspiração criadora e criativa

 

Nascida exatamente um ano após o lançamento do satélite soviético SPUTNIK 1, no auge da corrida espacial, o cativante universo pop da artista gaúcha Maria do Carmo Verdi tem forte influência da cultura dos anos 60. Lecionou na Universidade de Caxias do Sul, mudou-se para São Paulo e dedica-se, desde então, a investigação e produção em seu ateliê, desenvolvendo uma obra singular.

A Guerra Fria e sua corrida espacial, filmes de ficção científica como “2001: Uma Odisseia no Espaço” (e, posteriormente “Star Wars”), as missões exploratórias da NASA, os cartoons futuristas dos “The Jetsons”, “Thunderbirds” e “National Kid”, séries televisivas como “Viagem ao Fundo do Mar”, “Perdidos no Espaço” e “Jornada nas Estrelas” – todo esse caldo de referências não passa despercebido na construção de sua obra.

A partir da paisagem lunar do deserto chileno e da apropriação de formas elementares trabalhadas e reestruturadas com o auxílio de exercícios de análise combinatória e traduzidas em “personagens”, ela desenvolve a construção de suas paisagens ficcionais retratando a contemporaneidade correlata. Imersa nesse rico repertório, sua obra, repleta de cor, luz e textura, nos conquista por seu estranhamento. A seguir, nosso bate-papo com a artista:

Maria do Carmo Verdi apresenta suas pinturas e esculturas

NL – Seus trabalhos são vibrantes, com um colorido e texturas hipnotizantes. Como você explica sua obra?

MC – Faço pinturas, crio objetos, trabalhei com têxteis e faço uso de recursos digitais. Trabalho regularmente, acredito em processo e baseio minha produção nesta crença faz muitos anos. Optei por não atribuir ao acaso ou à inspiração a produção da minha obra, mas sim ao trabalho sistemático. Ao longo dos anos alcancei esta plasticidade e a cor, para mim, é um elemento fundamental para a formação do sentido. 

 

NL – Como se dá a inspiração para criação da simbologia das formas e dos personagens que figuram nas suas composições?

MC – Minha geração presenciou das primeiras idas ao espaço, do início da televisão e do surgimento do computador até o que temos hoje; um mundo onde a tragédia e a comédia estão expostas ao vivo, em tempo real, para uma rede incontável de indivíduos. Tudo nos chega, velozmente, pela televisão e pela internet: terrorismo, miséria, riqueza, corrupção, intolerância, solidariedade. Vivenciamos “online” e “ao vivo” acontecimentos importantíssimos como desastres sociais (como o êxodo dos refugiados da Síria e África) e ambientais (como a tragédia de rompimento da barragem de Fundão em Minas Gerais quando uma onda de lama tóxica varreu a cidade de Bento Rodrigues causando total destruição), imersos numa sociedade do espetáculo. Pessoalmente, isso tudo se realiza como uma espécie de caleidoscópio mental, permanentemente alimentado pelo meu próprio trabalho, pelo que aconteça no mundo, o que vejo, leio e vivo. A observação da realidade me mobiliza a criar estes personagens, paisagens e universos que, no momento, são reflexões que se materializam como pinturas e objetos tridimensionais (cakes e altos-relevos).

Obra: Os Sete Pecados

NL – Quais são as suas principais influências?
MC – Uma lista enorme! Posso citar Kandinsky, Klee, Max Ernst, Marc Chagall, Glauco Rodrigues, arte Maya, a gravura Japonesa (em especial a de Hokusai), as catedrais Góticas, Frida Kahlo, Miró e ainda muitas das séries de TV dos anos 60 como “Nacional Kid”, “Os Vingadores do Espaço”, os fantásticos “Thunderbirds”, “Túnel do Tempo”, “Jeannie é um Gênio”, “Perdidos no Espaço” além de filmes como “2001 Uma Odisseia no Espaço”! São muitas influências e referências, acho que sou um mix da cultura “pop sideral” dos anos 60 com uma boa dose de surrealismo.

NL – Como você enxerga o comércio da arte? É possível viver de arte no Brasil?
MC – Sim, é possível viver de arte no Brasil pois existem pessoas que vivem! É fácil? Claro que não! E não deve ser fácil em nenhuma parte do mundo. O desafio é buscar espaço no mercado sem perder a originalidade. Aliar-se à profissionais preparados para a complexidade deste ambiente é fundamental. De forma geral, o comércio de arte no Brasil é um pouco restrito a um público de renda mais alta. Há gente como meu galerista, o Felipe Senna, repensando isso e se posicionando de forma a agregar interessados e novos colecionadores ao circuito das artes, muitas vezes avesso a não iniciados, com propostas de valores razoáveis e sem perder o cuidado com a qualidade dos trabalhos.

NL – Seus trabalhos resultam de um método e de pesquisas profundas. Qual sua opinião sobre o uso da arte para fins decorativos?
MC – Um quadro, uma escultura, uma performance, seja lá o suporte que for, só se completa enquanto obra de arte quando é usufruída. Independentemente de onde isso aconteça. Apenas precisa acontecer! Pode ser na rua, dentro dos museus, em galerias ou intimamente na casa das pessoas. Quanto mais as pessoas queiram ter em torno de si objetos que lhes suscitem prazer e/ou reflexão a um nível íntimo e enriquecedor, melhor. Ver ou saber de algum dos meus trabalhos na casa de alguém é sempre motivo de alegria.

Projeto Jardins II / Suíte Principal / Quadros MCarmo “Paisagens Ficcionais”

NL – Como você entende a democratização da arte? 

MC – Acho que essa discussão é uma questão muito mais geral que engloba a educação em si. Formar indivíduos capazes de pensar o mundo produzindo ciência e produzindo arte. Aí está a verdadeira democratização da arte – no âmbito do fazer. Pensando assim temos um longo caminho pela frente.

 

NL – Com toda a bagagem que você traz em sua carreira, qual seria a sua orientação para quem está começando?  

MC – É uma profissão como qualquer outra. O crescimento depende de extrema dedicação, estudo e não se limita à prática do atelier. Envolve o mercado de arte e seus atores. Não existe uma fórmula para o sucesso, cada artista constrói o próprio caminho, mas uma coisa é certa, o trabalho dentro do atelier é só a ponta do iceberg.

Série “A Grande Onda Tóxica”

Conheça mais do trabalho dessa artista no Instagram @mcarmoverdi e através do seu galerista exclusivo Felipe Senna @_fsenna_ / f.senna@icloud.com

Valorizando um quadro na sua decoração

Projeto Jardins I / Sala de estar - ao fundo, painel de Adrianne Galinnari / Foto: Evelyn Muller

O primeiro passo é definir qual será a parede trabalhada. O ideal é que tenha boa visibilidade da entrada do ambiente e uma iluminação adequada que valorize a obra. Leve em consideração o revestimento – paredes com muita textura (tijolinho, mosaico, pedras, estampas) podem dificultar a visibilidade e comprometer o resultado final, assim como a incidência de luz solar diretamente sobre o quadro poderá desbotá-lo.

Escolhida a parede, analise o tamanho da obra mais adequado. Paredes maiores pedem obras grandes ou composições com mais de uma peça.

O estilo da obra deve dialogar com os móveis e adornos do ambiente (moderno, clássico, barroco). Uma ou outra peça contrastante pode “roubar a cena”, mas misturar muitos estilos pode deixar o ambiente confuso, cansativo e sem personalidade.

– Quadros pequenos devem ser dispostos em locais que permitam a aproximação. Eles criam um visual harmônico quando concentrados em apenas uma parede ao invés de espalhados pelo ambiente.
– Para que os quadros grandes assegurem um ar mais despojado ao local, apoie em mesas, bancos, aparadores ou mesmo no chão.

A vez da moldura

Ela é responsável pelo acabamento do quadro, mas nem sempre o quadro pede um acabamento.

– Pinturas menores precisam ser expostas com complementos no intuito de ampliá-las, então o paspatur (espaço entre a obra e a moldura) pode ser um grande aliado na valorização da obra;
– Pinturas maiores, como painéis, geralmente dispensam molduras, especialmente quando as laterais também são pintadas. Se for de sua preferência opte por molduras finas e claras.

E lembre-se sempre: a moldura deve combinar com o quadro, e não com a decoração!

Projeto Butantã / Acervo de telas, gravuras e ilustrações na sala de estar / Foto: divulgação

Ficamos por aqui. Até a próxima!

Decoração e Design

Trabalhar em casa é o sonho de muita gente!

O termo “home office” é um dos grandes temas quando o assunto é trabalho do futuro, e em meio a esse cenário turbulento de mudanças econômicas e políticas, esse futuro parece ter chegado sem aviso prévio. O emprego regular segue escasso e de repente nos percebemos em casa à frente do computador buscando formas de empreender. A autonomia, bandeira antes erguida como símbolo de liberdade, nos dias atuais parece ter outro significado. Nesse universo de adaptações a curtíssimo prazo, a melhor saída seria ajustarmos nossa rotina no intuito de atender uma demanda eminente – estamos trabalhando em casa e ajustes precisam ser feitos. A hora é agora!

Trabalho de pesquisa com a designer Karina de Nicola

A decoração e o design dão uma mãozinha nesse processo

Assumindo que mudanças são necessárias na adaptação da sua casa para um local de trabalho, busquei o apoio de uma empresa especializada no desenvolvimento de mobiliário, acessórios e estações de trabalho para nossa coluna: a americana Hermann Miller. Criadores de peças icônicas do design e ganhadores de diversos prêmios voltados para conforto e ergonomia, essa empresa segue atenta às mudanças pelas quais os ambientes de trabalho de todo o mundo estão passando, principalmente no que diz respeito às expectativas e à forma como o trabalho é realizado, propondo que as estações de trabalho sejam convertidas em espaços permeados por uma atmosfera de compartilhamento de propósitos capazes de atrair e estimular seus usuários. Na sua linha regular, três tipos distintos de cadeiras ganham destaque:

Cadeiras Aeron / Embody / Sayl Chair da fabricante Herman Miller

Aeron: seu design e desempenho únicos trouxeram um novo conceito de cadeiras de trabalho, sem o usual estofado. Na recente reedição, a tela aplicada nas fibras que são usadas em seu encosto, ajustes independentes para as regiões da lombar e sacro, novo mecanismo que ajusta a postura e altura e novas cores: além do tradicional tom Grafite, também disponível no tom Mineral (quase branco) e Carbono.

 

Embody: possui um sistema de suporte que proporciona uma sensação de estar flutuando, mas em perfeito equilíbrio, distribuindo o seu peso uniformemente enquanto está sentado. Isto reduz a pressão e incentiva o movimento, os quais são essenciais para manter o foco e uma circulação saudável.

 

– Sayl Chair: seu encosto 3D Intelligent sem estrutura permite que você se estique e se mexa, proporcionando um equilíbrio saudável entre o suporte e liberdade. Os fios de elastômero no encosto da suspensão variam em espessura e tensão para proporcionar um maior apoio nas áreas de transição ao longo da coluna e menos nos demais lugares para incentivar uma variedade de movimentos na posição sentada.

 

No quesito acessórios, vejam as opções de suporte para laptops, monitores e CPU que farão toda a diferença na sua rotina de trabalho remoto:

Suportes: Laptop Mount / Lapjack /FLO / CPU Jaw da fabricante Herman Miller

Esses acessórios muito versáteis podem ser fixados diretamente sobre a mesa ou bancada, ou vir na opção com garras, onde a instalação permite mobilidade.

 

Maiores informações pelo website http://www.hermanmiller.com.br/

Revenda autorizada – Loja Novo Ambiente

 

Considerações sobre o conceito Home Office

 

Como o assunto é relativamente recente no Brasil, acho importante esclarecer certos pontos – e até mitos – sobre o trabalho realizado remotamente. Vamos a eles:

 

  1. Home office não significa trabalho em casa
    Apesar desta ser a tradução literal do termo, no Brasil ele define de forma genérica o trabalho que é realizado em espaço alternativo ao escritório de uma empresa. Este local pode ser – ou não – o escritório em casa. Uma pessoa pode trabalhar “home office” em cafés, hotéis, aeroportos, táxis, parques…ou em casa. O termo mais exato para definir esta modalidade de trabalho poderia ser trabalho remoto.

 

  1. Home office não é para todos
    Infelizmente nem todo profissional pode trabalhar home office. Quem é empreendedor e quer permanecer com uma empresa enxuta ou somente testar a viabilidade de uma ideia, pode abrir sua empresa em casa e começar a trabalhar. Já quem é colaborador de uma empresa depende de uma série de fatores para ser candidato a este formato de trabalho.

 

  1. Home office não é um jeito fácil de ganhar muito trabalhando pouco
    Quando alguém procura o termo “home office” nas ferramentas de busca, aparecem muitas ofertas de “trabalhe sem sair de casa”. São promessas de renda extra onde o candidato tem a possibilidade de receber valores atrativos trabalhando somente algumas horas do dia. Obviamente, há sempre uma taxa de inscrição envolvida no processo. Cuidado com fraudes na internet!

Projeto MaxHaus – adaptação de bancada e poltrona com rodízios para atender necessidade de trabalho remoto.

Trabalho é algo que se faz, e não um lugar para onde se vai

Muita coisa evoluiu desde que comecei a trabalhar home office e pesquisar sobre o assunto. Porém, muitas questões ainda permanecem, causando duvidas e estranheza. Por isso a importância de lançar uma luz sobre o tema. Se todos encararmos o trabalho remoto com a devida seriedade, em pouco tempo teremos uma situação similar a de países como EUA, Inglaterra e Índia, onde esta modalidade já faz parte do cotidiano e traz benefícios para milhões de empresas e trabalhadores.

Compartilho a seguir algumas considerações relevantes a serem observadas na montagem de uma estrutura home office:

 

Identificação do local dentro de casa para acomodar a nova área de trabalho.

Não há uma regra na definição do cômodo ideal, mas a área total disponível e sua funcionalidade devem ser levadas a sério. Evite comprometer ou sacrificar ambientes funcionais da casa na criação da sua estação de trabalho: o quarto não seria o local mais indicado para casais, assim como a sala de TV não seria a escolha ideal numa casa com filhos.

 

Adaptação do layout existente para atender essa nova demanda. Tente reaproveitar um móvel existente de forma definitiva. Evite usar sua mesa de jantar para trabalho, ou pior, sua cama! Um aparador, escrivaninha ou bancadas retráteis cumprem bem essa função sem grandes gastos.

Investir nas peças corretas

Como vimos anteriormente, investir numa boa cadeira ajustável e acessórios para apoio de monitores, laptops e iluminação adequada asseguram que sua saúde e condições físicas sejam preservadas.

 

Dicas Funcionais para sua área de trabalho em casa:

 

– Se o período em que permanecer sentado não for tão longo, obviamente outros tipos de cadeira poderão ser considerados.

– Na sequência a seguir optei por um móvel coringa que atende como cadeira ou escada, possibilitando fácil acesso aos livros da estante.

– Bancos também são pecas estratégicas para se ganhar espaço. Quando estão fora de uso, vão para debaixo da mesa.

– A luminária de piso, que antes atendia o ambiente de leitura, agora serve como iluminação direta para a mesa de trabalho. Nesse caso, use um dimmer – aparelho que regula a intensidade da luz incidente.

Sala de leitura anterior convertida em área de trabalho, com mesa e cadeira/escada da loja Secrets de Famille.

Por hoje ficamos por aqui.

Até a próxima!

Decoração e Design

Uma casa é muito mais do que um telhado sobre nossas cabeças. Nossas residências se desenvolveram muito ao longo dos tempos, e cada vez mais precisam ser construções incrivelmente versáteis que servem como restaurante, jardim da infância, hotel, escritório, biblioteca e refúgio de um mundo interconectado. O lugar onde vivemos deve ser apreciado, oferecer proteção, descanso, paz e inspiração a todos os que passarem por ali. A cor pode alterar radicalmente qualquer espaço dentro de uma casa. As possibilidades disponíveis nas tintas modernas são ilimitadas, podendo transformar qualquer ambiente pelo uso inteligente das tonalidades. Cores pálidas e brancos podem renovar um ambiente resgatando uma atmosfera iluminada e espaçosa. No entanto, não é muito pratico modificar as cores de uma casa com tanta frequência…

Harmonização de cores e elementos – verde / laranja / tecidos

Em todo o mundo culturas diferentes atribuem significados para determinadas cores. A cor pode ser tanto passional e sensual quanto calmante e de meditação, e elas nos impressionam como um luxo moderno. Há apenas cem anos a cor estava reservada aos ricos, não havia televisão em cores, livros ou revistas coloridas ou mesmo plásticos coloridos e existiam poucos tecidos tingidos. Para a grande maioria, o mundo se resumia a muitos tons de cinza e somente a partir da década de 50 a indústria química tornou possível a produção de cores variadas para tintura e pintura.

Projeto Ipanema – o vermelho contrasta sobre os tons de amarelo e verde.

Como escolher a cor?

A pintura é uma maneira simples e econômica de revitalizar completamente qualquer área da casa. Nunca houve tanta variedade de cores em tintas, estampas, móveis e tecidos. Mas com tantas opções, por onde devemos começar? Muitos fatores devem ser considerados antes de começar um trabalho de preencher um espaço com cor. Algumas perguntas podem auxiliar nesse processo:
– Qual é a finalidade desse ambiente?
– Quem usa mais esse local?
– Em quais horários do dia será mais utilizado?
– Quanta luz natural esse espaço recebe?
– Quais são as características arquitetônicas presentes?
– Que móveis estão ou estarão nesse local?
– Que cores já estão presentes nos arredores e que serão mantidas?
– Que sensações você quer que o ambiente transmita?

Projeto Jardins I – predominância das cores verde e rosa na composição.

A roda de cores

Consiste num diagrama desenvolvido em 1878 pelo fisiologista alemão Ewald Hering que mostra a disposição das cores primárias e suas variações:

– Harmoniosas
Cores primárias: vermelho, azul, verde e amarelo. Quando misturadas, são produzidas as cores secundárias – Violeta, vermelho alaranjado, laranja e amarelo esverdeado. A medida que movimentamos a roda, percebemos a harmonia entre as cores vizinhas.

– Complementares
São as cores que se encontram em sentido imediatamente oposto na roda, em contraste: amarelo e violeta, vermelho e verde, laranja e azul, vermelho violeta e amarelo esverdeado. Tais combinações asseguram incríveis resultados vibrantes.

Painel Semântico – para que serve e como fazer?

Esses painéis auxiliam na visão geral de um projeto, tanto na escolha das cores quanto dos elementos que estarão no ambiente. Sua execução é bastante simples e nos remete aos trabalhos de educação artística nos tempos do colégio.
Numa placa grande ou sobre uma superfície plana, disponha materiais referenciais e pense sobre a aparência deles em conjunto. Brinque com a escala, a proporção e a cor nessa área, procurando encontrar uma combinação harmoniosa. Leve em conta as cores que irão predominar em paredes e pisos (a roda das cores será muito útil aqui). Disponha pelo espaço alguns pedaços de madeira nos tons reais do ambiente e estampas similares as que estarão nos tapetes e almofadas (flores, listras…). Fotos de viagens com referências arquitetônicas que você curte também entram na composição.
A partir desse resultado, a definição das nuances e padrões a serem utilizados na sua decoração se tornará muito mais simples, visto que uma prévia do projeto final acaba de ser testada e aprovada.

Exemplo de painel Semântico: texturas, pinturas, tecidos e cerâmicas unidos pelas cores azul e branco

Dicas – as sensações intensificadas pelas cores

Somos emotivos e o mundo moderno estimula cada vez mais emoções dentro de nós, e muitas vezes não temos conhecimento dos efeitos que o mundo visual tem sobre nossos sentidos e sensações. Vejam isso:

– Rosa – divertido, positivo e feminino
– Vermelho – passional, ousado e íntimo
– Alaranjado – criativo, aconchegante e quente
– Amarelo – vivaz, acolhedor e enérgico
– Verde – tranquilizante, revigorante e harmonioso
– Azul – calmo, tranquilo e sereno
– Violeta – espiritual, refrescante e estimulante

Portanto, antes de decorar, reserve um tempo para primeiro considerar como você quer se sentir no ambiente.

– Faça testes com diferentes tonalidades na parede e observe como as cores mudam do dia para a noite.
– Grandes marcas de tintas disponibilizam pequenas amostras para testes – é um investimento mínimo que poderá impactar enormemente sua rotina futura.

Projeto Moema – Azul e laranja aquecem o Studio de 38m2

Muitas cores ainda estarão presentes na nossa próxima coluna, quando vamos abordar o artesanato. Ah! Decoração de quartos infantis também! Não percam!

Até lá!

Decoração e Design

“O tempo que não pára!”

De onde as coisas vêm, quanto tempo elas duram e para onde elas vão?

Bom dia! Estamos no momento mais oportuno para ouvir ou dizer: “Nossa, o ano está voando…” Passamos por um período de crise e ainda temos eleições a frente com suas incertezas, mas seguimos carregados de esperanças. A renovação de expectativas é nata na nossa cultura – vivemos na crença de que não há situação que dure para sempre, não é?
Vimos acompanhando muitas mudanças: lojas fechando e diversas empresas deixaram o país…. Muitos se queixaram, enquanto outros vislumbraram oportunidades.
Reflexões que soam como piegas são – na verdade – reveladoras, pois a partir delas buscamos caminhos alternativos para driblarmos nossos próprios conceitos em torno do que seria essencial ou supérfluo.

O design interfere e nos faz refletir!

 

Olhe para a sua mesa de jantar ou estante da sala: você solicitou o certificado de procedência da madeira quando foram adquiridos?
O design atual observa esse quesito como ponto de partida no desenvolvimento de um novo projeto – pesquisas e investimentos em materiais alternativos são feitos em prol da utilização da madeira de reflorestamento. Analisar as estatísticas em torno da durabilidade x coleta adequada de itens retornáveis faz parte da rotina desses profissionais.
Muitas são as iniciativas na origem, mas de que forma podemos colaborar ativamente nessa causa?
Diminuir o consumo a partir da reutilização do que temos em casa seria um bom ponto de partida!
Isso requer acessarmos o designer existente em cada um de nós: o sofá da sala pode ser revestido com tecidos especiais, a cômoda antiga pode ser lixada, pintada e ter seus puxadores substituídos. Podemos trocar a moldura daquele quadro especial e revisitar a distribuição dos móveis. Um jarro de água pode ser um vaso de flores, ao passo que o criado-mudo atende como uma charmosa mesa lateral.
Sim, somos sustentáveis sem muito esforço, e por tabela, economizamos!

“ SUSTENTABILIDADE para mim é o que se faz, e não o que se diz”. – Domingos Tótora

Tendenciosamente, sempre evitamos seguir um caminho desconhecido. Mas se não arriscarmos, como saberemos o que nos aguarda? Muitos relacionam peças de design a preços altos, mas esse ramo é muito mais democrático do que muitos pensam ser.
Há cerca de 15 anos, o designer Domingos Tótora, iniciou um brilhante trabalho criando móveis e adornos a partir de papelão reciclado. Em seu atelier, localizado na cidade mineira de Maria da Fé, possui uma equipe que atua de maneira artesanal transformando suas criações em pecas de design com estilo próprio e inconfundível.

Da conversa que tivemos, registro algumas frases que falam por si só:

”Há quinze anos quando comecei meu trabalho, ninguém falava disso, e agora parece que se tornou uma maneira de se promover… a fala tem que ter a prática”.

 “ O lixo é a oferta que mais cresce. Fazer um objeto tem que ter sentido”.

 “As pessoas falam muito em madeira de demolição. Não entendo isso”. “A quantidade de áreas devastadas é imensa e a quantidade de madeiras deixadas no chão também. Olha o que estão fazendo com o jacarandá…”

O livro oficial com a obra completa de Domingos Tótora pode ser adquirido diretamente no seu website: www.domingostotora.com.br.

Dicas da semana: Sala de Estar – Parte II

Na coluna anterior falamos do sofá, da parede e relembramos a ordenação das almofadas. Pois bem, hoje abordaremos as mesas de centro e laterais.
Afinal, quando é realmente necessário usá-las? O espaço disponível no ambiente determina a funcionalidade e permanência dessas mesas.

– A função da mesa de centro é servir de apoio aos que estão sentados no sofá. Poltronas também poderão ser suportadas por esta ou por mesas laterais. Sendo assim, o tamanho e posicionamento da mesa de centro deve atender a demanda. Se o espaço for restrito, vamos eliminar essa peça, pois uma mesa de centro jamais deverá comprometer a circulação das pessoas pela sala.

  • Além de servir como assentos adicionais, os pufes podem fazer a vez de apoio para bandejas sempre que houver necessidade.

– Mesas laterais também atendem os que estão sentados no sofá ou poltronas. Uma delas, geralmente acomoda uma luminária, pois um ponto de luz adicional num canto da sala faz toda a diferença.

Composições sobre as mesas laterais e centrais:

– Mesas laterais: esteticamente quantidades ímpares são sempre mais harmônicas, então aposte nessas combinações: luminárias, livros/revistas, cinzeiros, porta-retratos, pequenos vasos, velas e suportes para controle remoto.

– Mesas centrais: espaços livres são essenciais; livros compõe com elegância e bandejas servem de apoio aos copos e objetos pequenos. Vasos com flores ou adornos mais altos devem ficar nas extremidades, nunca no meio da mesa, evitando barreiras visuais entre os assentos ou mesmo entre o campo de visão e a TV.

Ficamos por aqui? Até a próxima!!!

Decoração e Design

E o grafite virou arte. E das melhores!

Ilustração de Claudia Liz

Você já considerou ter uma parede da sua casa com a arte de um grafite? Então veja:

Bom dia! Nossa coluna de hoje vem celebrar esse importante movimento de liberdade de expressão: aquilo que, até algum tempo atrás causava estranheza na maioria das pessoas, vem se tornando uma tendência nas grandes metrópoles, onde verdadeiros cartões postais surgem a cada dia, estando entre os pontos mais procurados por todos para um registro de recordação.

Tomo como exemplo o projeto de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, onde o painel grafitado por diversos artistas já se tornou uma das atrações mais fotografadas na cidade maravilhosa.

E atenção!  Pichação não é grafite!

A qualidade dos trabalhos realmente impressiona, quer seja pela técnica aplicada e exclusiva de cada artista, quanto pelas condições do local onde geralmente são executados os trabalhos, geralmente desafiadores!

No histórico desses gênios é comum ouvirmos que em algum momento houve preconceito com seus trabalhos, até por conta das depredações causadas por vândalos em áreas e monumentos públicos e privados. Mas, com o passar dos tempos, o resultado que contrasta com a paisagem cinza das cidades, vem colecionando admiradores e ganhando espaço no mercado de arte contemporânea.

Assim, podemos nos encher de orgulho ao notar que alguns brasileiros estão dentre os mais reconhecidos no cenário local e internacional. Na foto acima, mural do Kobra, que ilustra o percurso da High Line em Nova Iorque. Em seguida, o famoso indiozinho azul, do Crânio. Logo abaixo, intervenção dos Gêmeos em Vancouver, e por fim o traço marcante e colorido do Toz. É arte que não tem fim!

Falando em arte de qualidade…

Há algum tempo, eu estava envolvido num projeto no edifício MaxHaus no Alto da Boa Vista em São Paulo quando, ao entrar no elevador panorâmico, e me deparei com um grafite de ponta a ponta no fosso! Foi uma experiência surpreendente. Admirei o trabalho e guardei o nome do grafiteiro.

Na semana seguinte, fui visitar o Mercado Anual de Arte de Design – o MADE – no jóquei clube em São Paulo, e logo na entrada… lá estava ele novamente com um mural incrível: palmas para Rogério Pedro!

O traço desse artista é inconfundível, e então nos encontramos para falar de projetos residenciais – isso mesmo – substituir um quadro convencional por uma parede grafitada em casa!

Confiram agora um resumo da nossa conversa, onde abordamos desde sua transição de carreira até o recente reconhecimento internacional:

NL – Rogério, eu soube que nem sempre você foi um grafiteiro. Como era a sua vida antes dessa transição?

RP – Sempre gostei de artes visuais, as ilustrações dos livros sempre me chamavam muito a atenção. Cursei faculdade de Artes Plásticas da PUC em Campinas e antes de me formar fui trabalhar numa agência de publicidade, profissão que mais se aproximava das artes visuais. Então por 15 anos atuei nessa área como diretor de arte e sócio de um escritório de design gráfico. Fiz uma especialização em Branding desenvolvendo projetos de construção e posicionamento de marcas. Voltei a me dedicar a pintura em 2010 utilizando como suporte as telas e o papel, então entrei com spray em 2012 e não parei mais. 

NL – Seu traçado é de uma brasilidade nata. Quais nomes te influenciam?

RP – Minhas influencias são diversas, especialmente pelo Movimento Modernista e suas ramificações, particularmente o cubismo. Utilizo a linguagem da desconstrução dos volumes e formas, através de pinturas figurativas e cada vez mais uma vasta paleta de cores. Tarsila do Amaral me influencia nas formas, assim como Picasso, Ziraldo e tantos outros artistas contemporâneos. 

NL –  As Divas vem se tornando sua marca registrada por diversos trabalhos. De onde vem essa inspiração?

RP – Meu trabalho sempre teve a presença da figura feminina, a mulher me inspira na arte. As Divas representam a materialização do pensamento, fragmentado em seus turbantes e coroas que acabaram se tornando uma marca, de fato.

NL –  Comente sobre suas publicações e carreira internacional, agora que acabou de entregar diversos murais em Miami.

RP – Nos últimos 5 anos tenho me dedicado muito ao meu trabalho, venho produzindo intensamente e com a produção veio o aprendizado e o encontro com a alma. Tenho trabalhos publicados em Nova York, França e Espanha, e no The ArtBook Brazil.

Ainda, pinturas em coleções particulares no Brasil, São Francisco (EUA) e Bogotá (Colômbia). Executei diversos murais nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Em setembro, passei 10 dias em Miami produzindo 3 grandes murais num Mall – essa foi minha primeira experiência estrangeira. Sem dúvida, é muito gratificante ver o meu trabalho reconhecido internacionalmente. Em dezembro retornarei a Miami numa ação de pintura com crianças e também tratarei de negócios com a Art & Design Gallery, numa representação nos Estados Unidos com o intuito de prospectarmos novos negócios por lá.

Conheçam mais do trabalho de Rogério Pedro no Instagram @rogeriopedroart e no site: www.rogeriopedro.art.br.

Dicas: Sala de estar – Parte I (sim, teremos Parte II)

O grafite na parede é tendenciosamente inovador, mas se essa condição soar um tanto quanto ousada e você preferir manter-se na linha tradicional, inclusive nas paredes, dá-lhe dicas:

DICAS:

  • O sofá é a principal peça da sala de estar, então sua escolha merece – pela relevância e preço – alguns cuidados especiais:- Procure optar pelas cores neutras nas peças grandes, deixando as cores vivas e estampas para almofadas e adornos.- Não entenda cor neutra como branco ou bege (que aliás, atendem muito bem) mas os tons pastéis são alternativas bem legais que também funcionam!Observe o tamanho da sala para escolha do móvel – sofás grandes demais atrapalham a passagem e entulham o ambiente. Muitas vezes é melhor optar por um sofá de 2 lugares + poltronas ao invés de um grande sofá de 3 a 4 lugares.

    E na parede atrás do sofá?

    – Compor vários quadros como demonstrei na coluna do dia 24 de outubro pode ser uma alternativa (revejam lá);

    – Outra possibilidade seria compor uma tela grande ou duas menores (preferencialmente simétricas) nesse espaço. Sendo assim, observe que a tela não deve ser maior que o comprimento do móvel, e a altura deve seguir a partir de um palmo do encosto;

    – Oportunamente, desafio vocês a tentarem um grafite! Vejam a seguir o mesmo ambiente da foto acima, grafitado:

     

Projeto Jardins II, parede de Rogério Pedro

E quanto as almofadas?

Vamos eleger uma paleta de cores e mesclar a partir dessas combinações, sem medo de estampas e formas.

– 2 a 4 almofadas para sofás de 2 lugares;

– 3 a 6 almofadas para sofás de 3 a 4 lugares.

Tapetes, mesas laterais e mesas de centro? Falaremos deles na próxima coluna!

Até lá!